Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Com Lula ou sem Lula, PT de Sergipe fora do bloco de governistas vira pó na sucessão de Belivaldo
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Rogério Carvalho: fazendo tudo ao contrário do que mandaria o mestre

Com Lula ou sem Lula na disputa presidencial, quais são as reais chances de o PT de Sergipe fazer cócegas na sucessão estadual pela escolha do sucessor do governador Belivaldo Chagas, PSD, no ano que vem?

Parece haver lógica nos que pensam que com Lula na disputa os cenários mudam não somente em Sergipe, mas em todas as unidades da Federação onde serão eleitos novos ou reeleitos atuais governadores. Mas essa mudança de cenário seria mesmo aplicada sobre Sergipe?

Há indícios claros de que não. Um desses indícios pode ser o pífio desempenho do PT na eleição de Aracaju no ano passado, da qual o partido saiu com um vergonhoso quarto lugar, com o candidato Márcio Macedo obtendo desidratados 9,55% dos votos válidos.

Que garantias terão os petistas de que, com Lula ou sem Lula, esses 9,55% de Aracaju não seriam o expresso e real índice de um candidato do partido numa disputa do Estado inteiro desgarrado do seu tronco original de parceiros?

Quem, no PT, seria o nome surpresa a se oferecer a Sergipe e aos sergipanos para mudar essa baixa densidade eleitoral que os petistas e o PT se revelaram donos na disputa por Aracaju em 2020?

Há no PT esse nome? Certamente não. Mesmo que houvesse, não sinalizaria sucesso do partido em 2022. Não sinalizaria porque o PT, quando logrou sucesso, nunca foi algo ou alguém sozinho em Sergipe.

É necessário lembrar que o PT ganhou quatro eleições seguidas em dois dos espaços mais nobres deste Estado - a Prefeitura de Aracaju e o Governo de Sergipe. Mas não o fez sozinho. Longe, bem longe disso. Fez agregando. Incorporando. Amalgamando.

Do grande sujeito que realizou esses feitos - Marcelo Déda -, arrastando um pool partidos e de figuras notáveis da vida política sergipana nas quatro situações, não resta mais nem fumaça – e aqui não vai nenhum trocadilho com a precoce morte dele.

Não é exagerado dizer que nos sucessos do PT em Sergipe havia em ação majoritariamente a parcela Marcelo Déda, mesmo com que seus encantos e ódios, se sobrepondo à figura de Lula.

Mas repita-se: disso, ou daquele Dedinha, não resta nem a fumaça. Déda foi uma espécie de João Alves nessa questão de espólio no centro da política: não deixou herdeiro. Mas construiu e deixou algo fatal: um espírito de grupo.

E esse espírito de grupo, mesmo sem ele presente, ganhou quatro novas eleições sergipanas notáveis - justamente mais duas de prefeito de Aracaju - 2016 e 2020 – e mais duas de governador de Sergipe - de 2014 e 2018.

Na de prefeito de 2020, o PT já não entendeu mais nada. Foi pra festa com uma roupa errada e quebrou a cara contra o muro.

Desse espírito de grupo nascido em torno do PT e de Déda, há indícios de que restará em 2022 o seu extremo oposto, personalizado na figura enfezada - enfezada no sentido etimológico da palavra mesmo – do senador Rogério Carvalho, o alheio. Ou o desgarrado.

Em 2020, Rogério Carvalho articulou a tragédia ao botar numa mesma fogueira um bocado de gente do seu entorno. Fez Márcio Macedo se estabacar numa rudeza política nunca antes vista numa eleição de Aracaju entre aliados próximos, entornou o caldo da relação já não muito amistosa entre a vice-governadora Eliane Aquino e o governador Belivaldo Chagas e viu seu próprio nome sair de cena numa perspectiva de que o candidato apoiado pelo blocão de governistas à sucessão de Governo em 2022 pudesse ser o dele.

Vaidoso e desagregador, com um mandato que não fede e nem cheira, Rogério Carvalho fez tudo-tudinho no extremo contrário do que faria ou do que ensinaria Marcelo Déda.

Resultado: no cenário da sucessão estadual entre os governistas, o nome dele esboroou. Virou fuligem. Não tem 2% das chances que detém um Edvaldo Nogueira, um Fábio Mitidieri, um Ulices Andrade ou um Laércio Oliveira de ser o escolhido. O indicado. E aí, fidedeus, sozinho assim, perdido no breu, não tem Luiz Inácio da Silva e nem Lula que deem jeito.

Foto: Agência Senado 

 

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