Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Dudu da CUT: Governo erra feio ao deixar Estância fora do Largo da Gente Sergipana
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Professor Dudu: “Se você fala de São João de Estância, lembra primeiro do Barco-de-Fogo”

O presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT - de Sergipe, Rubens Marques de Souza, o Professor Dudu, acha que o Governo do Estado “falhou feio” ao deixar o município de Estância de fora do Memorial do Largo da Gente Sergipana, que está sendo construído sobre a lâmina d’água do Rio Sergipe, em frente ao Museu da Gente Sergipana. 

“Eu acho um equívoco profundo da gestão da Cultura do Governo de Jackson Barreto: como é que esquece o Barco-de-Fogo? Depois que vieram as pressões dos aliados de Jackson Barreto em Estância, eles fizeram umas gambiarras para colocar o Busca-Pé nas mãos de um dos personagens”, diz ele. Para Dudu, o Busca-Pé não vale. Veja o que ele mais disse neste papo com a coluna Aparte.

Aparte - O senhor entende que o Governo do Estado esqueceu de Estância na projeção do Largo da Gente Sergipana?
Professor Dudu -
Eu acho um equívoco profundo da gestão da Cultura do Governo de Jackson Barreto: como é que esquece o Barco-de-Fogo? Depois que vieram as pressões dos aliados de Jackson Barreto em Estância, eles fizeram umas gambiarras para colocar o Busca-Pé nas mãos de um dos personagens. Ora, não tem nenhuma comprovação de que o Busca-Pé é genuinamente estanciano. Pode ter até nascido em outro Estado. Tem relatos sobre isso.

Aparte - Mas o que é que é estanciano e que não deveria ficar fora do Largo da Gente Sergipana?
PD -
O Barco-de-Fogo, que é genuinamente estanciano. Eles esqueceram, e a obra já começou. Melhor que fazer essa gambiarra do Busca-Pé é refazer o projeto da obra.

Aparte - Alguém já sugeriu ao governador formalmente?
PD -
O secretário de Cultura de Estância tem mantido contato com o Governo do Estado. Mas a solução foi essa gambiarra. Você como jornalista e defensor da sergipanidade, entre contato com secretário da Cultura para ver qual é a solução. O que se sabe é que a solução não pode ser essa gambiarra.

Aparte - O que o senhor, como estanciado e presidente estadual da CUT, diria ao secretário da Cultura do Estado e ao governador do Estado sobre isso?
PD -
Eu diria que acho que Estância não pode ser esquecida. Como é que o berço da cultura sergipana está fora da homenagem à sergipanidade e aos aspecto culturais de Sergipe? É uma coisa inexplicável.

Aparte - Este memorial do Largo da Gente Sergipana seria incompleto, então?
PD -
Só vai estar completo se tiver o Barco-de-Fogo.

Aparte - Qual é a significação do Barco-de-fogo para as tradições juninas sergipanas?
PD -
Se você fala de São João de Estância, lembra primeiro do Barco-de-Fogo, do Busca-Pé, da quadrilha. O restante tem em qualquer lugar. Veja a diferença de uma cidade que tem tradição de uma cidade que não tem. Com todo respeito a Areia Branca: ela já promoveu o melhor São João de Sergipe. Mas não era São João. Era um show. E show se faz em qualquer lugar. Basta ter dinheiro para contratar banda. O tempo passa e leva. Agora, Estância não. Ela permaneceu. Por ela, você tem Barco-de-Fogo e tem Busca-Pé.

Aparte - É um São João genuíno, nascido do povo.
PD -
É cultura consolidada. Tanto é que nos tempo de crise, quando a Prefeitura não promove, o povo faz sem a Prefeitura.

Aparte - Ele é autônomo, para além dos poderes?
PD –
É, e é bom que seja assim, porque o poder público incorpora as manifestações culturais e quer lhe dar direção. Quando você tira a autonomia, ele deixa de ser uma manifestação livre. Quando existe a crise e o Governo não promove, ele não deixa de acontecer. Não teve show, mas São João teve.

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