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Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Eduardo Amorim, Valadares, André Moura e a fábula do tombo da vassoura
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Eduardo, Valadares e André: construindo a Babel das suas próprias dificuldades

Quando eu era menino, isso lá no começo dos anos 70, apareceram três malaquias num dia de feira em Várzea do Poço, minha querida cidade encravada no sopé da Chapada Diamantina, na Bahia, com uma estupenda novidade simbolizada por uma vassoura mágica. Um vassourão. Grande. Enorme.

A tal da bichona era indomável. Não tinha magote de homem que a mantivesse em pé. Reta. Sob prumo. A novidade preencheu logo o salão calorento da Sociedade Beneficente Cultural - SBC -, que era o nosso clubinho pobre, mas harmonioso e quase pop.

Todos os bebinhos do dia da feira foram logo convidados para a festa. Pagava-se para entrar e assistir ao espetáculo, e o dono da vassoura, sabiamente, infiltrou dois ou três fortões sóbrios combinados do seu esquema e, num puxa pra cá, num puxa pra lá, nunca que ninguém conseguisse acertar o ponto de equilíbrio da danada da vassoura e fazê-la parada. Logo, era mágica. E se tornou famosíssima naquele dia de feira.

Só quem lucrava com aquele espetáculo perebento era o mambembe dono dela, que ia ganhando com as entradas e com as apostas sempre vencidas cada vez que o “bassorão” beijava a lona, nocauteando, pela energia dos dois ou três fortões, os “bebins” que iam ao velho chão de ladrilho quadriculado da SBC.

Esta fábula, que é real e habita com certo grau de aumento o meu imaginário de menino do interior, cai muito bem no processo de montagem de chapas para a sucessão do Governo do Estado de Sergipe este ano. Aqui, quem analisa agora não é mais o menino interiorano e sim o homem que gosta de ver a queda de braço e a torção dos interesses na esfera política.

Aquela vassoura “varzeana” hoje pulula disforme, agressiva, e sem controle, nas mãos de Eduardo Amorim, Antonio Carlos Valadares e André Moura. Claro que, respeitosamente, esses dois senadores e esse deputado federal não são três bebinhos, mas na discussão pela sucessão estadual de Sergipe comportam-se como se assim o fossem. Estão bêbados da vontade de poder. E, nesta condição, estão apanhando de uma vassoura que, cineticamente, estaria do lado deles. A favor deles.

Mas por que a vassoura mágica, ou falsamente cinética, estaria do lado de Eduardo Amorim, Valadares e André? Porque, até agora, todos os indicadores de pesquisa da sucessão de Sergipe - até quando puderam ser divulgadas, lógico - apontaram que eles, e sobretudo os dois senadores, lideram a preferência de votos entre os sergipanos.

Quando cada um deles - Eduardo Amorim, Valadares e André - puxa a vassoura para o seu lado, esquecem de que todos tombarão ao solo, ao chão, se não acertarem o ponto de equilíbrio de energia da vassoura política. São três “figuras sábias”, mas cegas pela vontade de poder, e que não conseguem ver o perigo do movimento que fazem contrariamente a si mesmos nesta hora que exige cálculo e frieza.

Não conseguem, essas três “impolutas figuras sábias”, enxergar em Jackson Barreto, o governador do Estado e articulador do projeto de fazer o seu próprio sucessor, o real dono da vassoura, aquele que, do meio do salão, dissimulado e em casacão de jogador sem blefe, dá as ordens para que a vassoura não se mantenha de pé ou que caia favoravelmente à sua aposta ou à do pupilo Belivaldo Chagas.

Essa crônica nem vai entrar em detalhes sobre quem faz restrições a quem, e nem de que maneira, entre as “três preclaras figuras sábias” que se desequilibram sob a vassoura doida do jogo político. Não. Se eles não conseguem ver a si mesmos em suas “bramuras”, não vai ser a lente alheia que os despertará.

Essa crônica apenas recorre a uma fábula infantil para deixar claro que, mesmo crescidos e sábios, alguns homens não sabem se desvencilhar bem dos perigos de uma vassoura bêbada de poder no centro do salão de uma sucessão de Governo. Que cada um, portanto, pague pela dor do seu próprio tombo.

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