Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Eleições 2020: só uma entre 10 candidaturas é feminina
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Dados apontam que mulheres não são maioria em nenhum dos 33 partidos registrados no país

Num total de 19.141 candidaturas ao Executivo Municipal, apenas 2.496 são de mulheres. Significa que apenas uma a cada 10 candidaturas para as Prefeituras é feminina. Isso corresponde a 13% do total.O levantamento é do G1, com base no repositório de dados do Tribunal Superior Eleitoral – TSE – e divulgado na última semana.

Os dados apontam que nomes de mulheres na disputa a prefeito não são maioria em nenhum dos 33 partidos registrados no país. Além disso, os índices apontam que a participação feminina na disputa para o Executivo se mantém estagnado, sendo o mesmo registrado nas eleições municipais de 2016 e 2012.

Mas o baixo número de candidaturas de mulheres se repete também na disputa para a Câmara Municipal. Nestas eleições, as mulheres são 34% dos candidatos a vereador. São 175.312 (de um total de 509.969 candidatos ao cargo). Em 2016, esse percentual era de 32%. Em 2012, 31%.

Nestas eleições, as taxas mais altas de candidaturas a prefeito e vereador são, principalmente, de partidos à esquerda no espectro político, como PSTU, PSOL, PT e o nanico estreante UP. Na corrida por prefeituras, PCB e Novo lançaram menos mulheres. Para o Legislativo municipal, o PCO registrou o percentual mais baixo de mulheres, abaixo da cota: 21%.

De forma efetiva, a cota de, no mínimo, 30% para candidaturas de mulheres passou a valer após a minirreforma eleitoral de 2009. Antes disso, a lei previa a reserva de 30% das vagas para as mulheres, mas os partidos deixavam essas vagas vazias.

A cientista política Teresa Sacchet, professora do programa de pós-graduação do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia – UFBA –, analisou os dados. Ela lembra que as mulheres já garantiram a reserva de, no mínimo, 30% das vagas para eleições proporcionais, mas diz que isso ainda não refletiu completamente nas urnas.

“A maior parte das mulheres eleitas ainda é branca. Mesmo em estados como a Bahia, quase 70% das mulheres eleitas são brancas, sendo que 82% da população é negra. Então tem muita desigualdade, muita desigualdade na disputa, muita luta. As regras implementadas são boas, porém não estão sendo cumpridas”, afirma Teresa.

Ela cita, por exemplo, o dinheiro repassado a candidatas mulheres que eram obrigadas a devolver a verba a dirigentes e também o uso de recursos do Fundo Partidário tendo como destino a capacitação de mulheres para outras finalidades. Teresa acrescenta ainda que, apesar de se estimular a participação das mulheres, não é certo dizer que “as mulheres são mais corretas e menos corruptas” do que os homens nem mesmo associá-las “ao papel de mãe, de emotivas, ao papel de cuidado, que trilha as mulheres e dificulta a entrada delas na vida pública”.