Aparte
Opinião - O Brasil precisa, urgentemente, se reconciliar com a verdade e se divorciar da fome!

[*] Luís Fernando Silveira de Almeida

Há sempre um pouco de melancolia nos rituais de passagem. Pois é do brasileiro o sentimento saudade. E um filme passa por minha cabeça, afinal são cinco anos, não cinco dias. Vivi com muita intensidade meus anos na Semdec.

Agora, um monte de gente boa, se emocionando, chorando, e daí penso em Gonçalves Dias:
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”

Concordo. E por mais que tenha trilhado o caminho da negociação, da conciliação, não abri mão de princípios por privilégios. Vivi e lutei, desde criança. Fui pai de irmãos. Na ausência do nosso, tentei dar exemplo, sem preparo para tal, um adolescente envelhecido.

Formei-me oficial do Exército, no NPOR do 4º Grupo de Artilharia de Campanha, Juiz de Fora, Minas Gerais. No dia 25 de abril de 1984, enquanto minha mãe e familiares comemoravam seu aniversário de 45 anos, estava eu aquartelado por causa da votação da emenda Dante de Oliveira, que garantiria a famosa “diretas já” e não passou.

Sinceramente, não entendia porque um país dividido, se todos “em princípio” eram patriotas? Hoje, compreendo.

Em 1989, ingressei na Polícia Militar do Estado de Sergipe, onde servi até 2015, tendo a honra de ser seu subcomandante e encerrar minha carreira como Chefe do Gabinete Militar do grande e honesto governador Jackson Barreto, um ser das lutas. Corajoso, como poucos.

Trabalhei, pela segunda vez, com Wellington Mangueira. Generoso, pedagógico, um verdadeiro pai, que terminou de me “criar”. Em maio de 2017 fui chamado por Edvaldo Nogueira para ser secretário Municipal. Aceitei.

Terra arrasada, tudo fora de lugar, despejo, dívidas. Encaramos. Em Edvaldo, conheci a determinação, a obstinação de um guerreiro. Um general que qualquer soldado gostaria de ver na linha de frente, duro. mas amigo, solidário. Desbravador, como poucos, e Aracaju é a prova de seu poder de realização. De sua visão.

Hoje, deixo minhas funções na Prefeitura depois de muita luta, enfarte, transplante, Covid, mas de muitas realizações. Realizações coletivas: a Patrulha Maria da Penha, o Climaju, o Terminal Seguro, o Agendamento Eletrônico do Procon, a fiscalização coordenada, durante a pandemia.

Nada meu, tudo nosso. De uma equipe integrada e cooperativa, que fez a diferença. Nem me arrisco a citar nomes, por puro medo de cometer injustiça. Mas agradeço a todos os colegas, na figura de Renato Telles, e ele sabe o porquê.

Ao major Sílvio Prado, oficial competente, assessor leal, trabalhador incansável, desejo toda sorte à frente da Semdec, e terá!

Na quinta-feira, 31 de março,  ingresso nos quadros do PCdoB. Aracaju está em boas mãos. Mas o país, não. Daí querem que eu explique o PCdoB. O PCdoB é explicado por 100 anos de história. Expliquem um monte coisas que estão por aí.

A luta agora é por algo maior. É por um povo sofrido, desempregado e faminto. Um povo assassinado pela cor da pele, pela roupa que veste. Pelo lugar onde mora. A luta é por meu país. E se escolhi um caminho difícil, mais difíceis são os caminhos dos abandonados. Eles, temos que resgatar.

O Brasil precisa, urgentemente, se reconciliar com a verdade e se divorciar da fome!

Obrigado, prefeito Edvaldo Nogueira, pela confiança e pelo apoio em meus momentos mais difíceis, como a perda de minha madrinha e minha mãe.

A mente de quem quer o bem, sempre guardará o bem!

Não se abata, o seu tempo ainda é e será. Despeço-me com as Gerais de Guimarães Rosa...

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”

Até a próxima, companheiros!

[*] É oficial da reserva da Polícia da Militar do Estado de Sergipe e ex-secretário Municipal da Defesa Social e da Cidadania - Semdec - de Aracaju.

 

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