Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

João Daniel: “O PT não conhece a palavra derrota. Conhece a palavra luta”
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João Daniel: “Nós do PT acreditamos na aliança que foi feita e consolidada por Marcelo Déda”

“Somos ainda o partido que tem o maior número de governadores (quatro), somos o partido que tem a maior bancada federal na Câmara dos Deputados e elegemos vereadores, vereadoras, prefeitos, prefeitas e vices em todo Brasil, incluindo onde não tínhamos”.

Essa é a justificativa do deputado federal João Daniel para a avaliação de que “o PT sai do pleito de 2020 muito feliz, muito animado”. Ele é o presidente da sigla em Sergipe e garante que o partido cumpriu o papel dele nas eleições deste ano, apesar de a crítica e a análise em geral apontarem o contrário.
 
Para João Daniel, inclusive, a decisão de disputar a eleição municipal em Aracaju foi acertada. “Não nos sentimos derrotados. Ao contrário, sentimos que pudemos visitar todos os bairros da nossa capital, debater um projeto e debater nossas ideias”, assegura. 

Nesta pequena entrevista à Coluna Aparte, além de analisar o pleito de 2020, João Daniel fala sobre os planos do partido para o futuro.

“O que queremos é ajudar a construir, cada vez mais, um projeto comprometido com a população brasileira e sergipana, em especial com os mais pobres, para retomar a democracia”, diz ele. Veja o bate papo com Aparte.  

Aparte - Como o senhor avalia o desempenho do PT nessas eleições? Como o partido sai desse pleito? 
João Daniel -
O Partido dos Trabalhadores sai do pleito de 2020 muito feliz, muito animado. Somos ainda o partido que tem o maior número de governadores (quatro), somos o partido que tem a maior bancada federal na Câmara dos Deputados e elegemos vereadores, vereadoras, prefeitos, prefeitas e vices em todo Brasil, incluindo onde não tínhamos. Exemplo disso é que entre os 100 maiores municípios do país que o PT não governava passou a governar e o partido participou de eleições nas maiores cidades. Portanto, discutimos projetos no país inteiro. Este foi o papel fundamental do PT.

Aparte - O senhor acredita que foi a decisão mais acertada ter lançado candidatura própria em Aracaju, mesmo o partido tendo ficado em quarto lugar? 
João Daniel -
O PT não disputava eleição em Aracaju há 16 anos. Portanto, houve uma decisão do partido, que saiu unido na disputa em Aracaju, para discutir um projeto e, por isso, não nos sentimos derrotados. Ao contrário, sentimos que pudemos visitar todos os bairros da nossa capital, debater um projeto e debater nossas ideias. Nem sempre esse debate e esse projeto são vencedores. Mas tivemos a oportunidade de oferecer um projeto para o povo da nossa capital. Em Aracaju existe um projeto em curso que foi originário do Partido dos Trabalhadores e do nosso maior líder que foi Marcelo Déda. Portanto, não nos sentimos derrotados. Derrotados seríamos se perdêssemos para a direita em Aracaju. Mas a reeleição de Edvaldo Nogueira não nos traz nenhum problema. Ao contrário, nós gostaríamos e foi pra isso que o partido fez esse debate e participação eleitoral, para manter um projeto em Aracaju no campo popular. O PT esteve num projeto do campo popular e o campo que apoiamos no segundo turno venceu a eleição.

Aparte - Para além de Aracaju, o PT também perdeu em todas as capitais. A que o senhor atribui isso? 
João Daniel –
O Partido dos Trabalhadores participou do debate em todas as capitais, mas não dá pra dizer que perdeu todas as capitais. Nosso partido elegeu vice-prefeito em Belém, no Pará, onde o PT esteve junto na chapa de Edimilson Rodrigues, PSOL. E o PT apoiou, em todas as capitais que foram para o segundo turno, o campo popular na disputa. Portanto, o PT não perdeu todas as capitais. O Partido dos Trabalhadores disputou em todas as capitais com candidaturas próprias, como vice, apoiando alguém ou estando com alguém no segundo turno, com a presença da militância e do partido.

Aparte - O senhor não vê a ausência de prefeitos eleitos nas capitais como uma derrota? 
João Daniel -
O nosso partido não se sente derrotado. Sente-se um partido com presença nacional. Não é um partido que serve de sigla de aluguel. É um partido que tem história, militância e o maior líder da história deste país, que é o ex-presidente Lula. O nosso partido não conhece a palavra derrota. Conhece a palavra luta. E às vezes a gente vence eleitoralmente ou perde eleitoralmente, mas a luta política continua firme e forte, como é a história e a formação do PT e da esquerda brasileira. Nosso partido nasceu para combater as injustiças, governou esse país e deu a possibilidade de pleno emprego ao povo brasileiro e é este projeto que estamos debatendo em curso no país. O projeto que temos a compreensão de que foi o grande derrotado foi o de Bolsonaro e a extrema direita. E sabemos que há o tempo de plantar e de colher. E estamos no tempo de preparar a volta da democracia e de um governo popular para o Brasil. E não haverá governo popular e democrático sem a presença e a participação do PT.

Aparte - O partido também reduziu bastante o número de Prefeituras em todo o país. Em Sergipe, como ficou esse cenário?
João Daniel -
O PT em Sergipe tinha duas prefeituras. No caso de São Domingos, elegemos o sucessor e o vice, além da maioria da Câmara pelo PT, mostrando que o partido tinha trabalho, marca e história. Aproveito para parabenizar o prefeito eleito Binho e o atual, Pedrinho, condutor deste projeto. Em Nossa Senhora da Glória há uma aliança em curso e o PT, sob a liderança do prefeito Chico do Correio, presidente do Diretório Municipal, fez a sucessora, por um partido aliado, e cinco vereadores pelo partido. Além desses, fizemos mais quatro prefeitos, totalizando seis prefeitos petistas em Sergipe -São Domingos, Feira Nova, Maruim, Canindé de São Francisco, Cristinápolis e Salgado - e alguns que poderão vir a partir de janeiro. É a primeira vez que fazemos, na história de Sergipe, o maior número de vereadores e vereadoras e perdemos em número de prefeitos e vices apenas para o período em que o governador era Marcelo Déda e Lula, o presidente. Portanto, o PT hoje está vitorioso em Sergipe.

Aparte - Segundo analistas da área, o PT perdeu espaço, inclusive, para outras siglas da esquerda, como o PSOL. Isso seria uma consequência do desgaste que o partido vem sofrendo ao longo dos anos? 
João Daniel -
Os analistas de plantão e da direita brasileira fazem todos os esforços, todos os dias, para provar que o PT e Lula são os derrotados desta eleição. Mas esta não é a realidade! E o PT não perdeu para o PSOL. O PSOL é um partido que tem história, luta e uma boa bancada. Portanto, temos por ele o maior respeito como partido de esquerda e boa parte dos que hoje o integram foram do PT. E a única capital onde o PSOL foi vitorioso foi Belém, numa chapa que teve o PT como vice. Portanto, o PSOL teve o espaço que conquistou, a história que construiu e o nosso partido teve a vitória que teve graças à história e à militância do PT, porque somos, nos últimos seis anos, neste país, o partido mais trabalhado pela grande mídia e a elite brasileira como um partido criminalizado, perseguido, massacrado, inclusive tentado tirá-lo da legalidade. Mas nos mantivemos firmes, fortes, com a maior bancada federal, uma boa bancada de senadores e confiando no nosso maior líder, que é o maior líder da história do país, Lula, e a confiança do povo brasileiro. O povo brasileiro foi trabalhado pela história das fake news e da covardia de setores da direita brasileira para massacrar, humilhar e criminalizar o PT. Saímos do pleito de 2020 muito mais forte, de cabeça erguida e confiante de que o povo brasileiro saberá compreender a importância deste partido e a volta de um projeto em 2022.

Aparte - Como presidente estadual do partido, como o senhor pretende atuar para recuperar esses espaços?
João Daniel –
O PT é parte do Governo do Estado, participa, tem a vice-governadora e nós continuaremos lutando, incansavelmente, pelo fortalecimento do partido na luta da classe trabalhadora, dos mais pobres, na presença e luta com os negros, com a juventude, as mulheres, pois queremos um partido enraizado, que fala e faz. Um partido que tenha consistência. Este é o partido que ajudamos a fundar. Não abrimos mão disso e temos clareza e certeza que o povo trabalhador tem compreensão do partido e do futuro que o PT pode dar a Sergipe e o Brasil.

Aparte - Os resultados de agora já sinalizam alguma definição para 2022? 
João Daniel -
Não. O ano de 2022 é uma construção que ocorrerá naturalmente, com todas as força políticas que atuam no Brasil e no Estado de Sergipe. O que queremos é ajudar a construir, cada vez mais, um projeto comprometido com a população brasileira e sergipana para retomar a democracia, retomar um projeto para o Brasil e em Sergipe nós continuarmos num bloco que tem origem com Marcelo Déda - ao qual faço referência pelos sete anos de sua partida, uma perda que tivemos deste nosso líder maior que continua nos iluminando - e é este partido que hoje faz parte do Governo do Estado, sob a gestão de Belivaldo Chagas, quer ajudar o governo e quer continuar buscando alternativas progressistas, populares para o povo sergipano. Nós do PT acreditamos na aliança que foi feita e consolidada por Marcelo Déda, depois liderada por Jackson Barreto, hoje sob a liderança de Belivaldo Chagas, com a presença do nosso partido, para continuar num projeto que cuide, mais e mais, dos interesses do povo sergipano, em especial dos mais pobres.

Foto: Gustavo Bezerra

 

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