Aparte
Opinião - A paixão que cega

[*] Vitor Deda

A ideologia na política é normalmente desenhada como algo que no ser humano obrigatoriamente precisa ser intenso, para que a sociedade enxergue em seus atos quem ele é: de esquerda, de direita ou é alguém que não sabe nada de política e assim excluído dos debates.

É uma espécie de julgamento, sem que o sujeito tenha o direito de pensar a política de uma forma ampla, sem paixão e com muitos questionamentos. 

É nessa ebulição de intensidade ideológica que a política perde a razão, e o ser humano envolvido nessa paixão só enxergará o mundo que seu líder ideológico construiu, sem sequer questionar, tanto que os erros e incoerências cometidas pelo líder são absorvidas com uma cega defesa, sem qualquer lucidez.

Indo na contramão dessa paixão cega, vem a razão, sempre na medida, sempre calma e cheia de questionamentos. A razão podemos caracterizar quando o ser humano na sua evolução começa a conhecer o mundo e os porquês começam a ser suas melhores perguntas. 

Nessa mistura de intensidade na paixão política e dose correta na razão política, o ser humano pode escolher viver a sua luta de cada dia em busca de uma sociedade mais justa com a visão que mais identificar sua luta. 

Posso afirmar, caro leitor, que já vivi a paixão na política e colhi a ilusão de um amor que só usa, não retribui. Hoje vivo a razão com a leveza de quem vê o mundo político de forma mais heterogênea, com vários questionamentos e sem medo de errar e aprender.

A única paixão que vale ser vivida com intensidade na vida é a paixão de pai e filho(a) ou mãe e filho(a). Essa só nos engrandece, não cega.

[*] É advogado e estudante de Comunicação Social.

 

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