Aparte
OPINIÃO: Rogério Carvalho e a incapacidade de conduzir a esquerda em Sergipe

\"Hoje, a causa que move Rogério não é a social, mas, infelizmente, a manutenção dos cargos dos seus assessores e seu cada vez mais distante sonho de se tornar senador da República.\"

[*] Diougo Rafael Menezes dos Anjos

A política progressista sergipana viu florescer dois grandes nomes que honram, com suas militâncias e lutas, um quadro que buscava construir uma política igualitária para a classe trabalhadora do nosso Estado.

Mais de oitenta anos separam as atuações históricas de Fausto Cardoso e Marcelo Déda. Dois grandes nomes que entraram de maneira sublime e honrosa para as páginas da história sergipana.

​Fausto Cardoso, sergipano de Divina Pastora, poeta, filósofo e advogado, exerceu grande influência no pensamento nacional e na luta pelo ideário republicano.

Poderia ter se contentado com a vida acadêmica, visto que era aclamado no meio intelectual de Recife.

Mas, muito mais que os clamores intelectuais, ele era movido pelo intenso desejo de transformar profundamente a política e a vida social sergipana.

Retornou a Sergipe e, aqui, mergulhou de corpo, alma e convicção na política. Fundou o Partido Progressista, foi eleito deputado federal por duas vezes, dedicando-se à causa social e enfrentou o poderoso Olímpio Campus.

​A importância de Fausto Cardoso pode ser evidenciada na fala de Acrísio Torres, “do silêncio do gabinete, onde era filósofo, lançava-se ao tumulto da praça pública, onde era revolucionário”.

Mesmo com sua morte em 1906, a voz de Fausto Cardoso ecoou: “bebo a alma de Sergipe. Morro, mas a vitória é nossa, sergipanos”.

A morte de Fausto Cardoso não apagou a sua fala. Ela ecoou, e foi repousar, 80 anos depois, no coração e na alma de outro sergipano: Marcelo Déda.

Os sonhos de melhoria da vida dos sergipanos não puderam ser concretizados por Fausto Cardoso, mas, 100 anos depois, os sonhos ceifados por um crime brutal encontraram acalanto na política desenvolvida por Déda.

Ouso, caríssimo leitor, a afirmar que uma das grandes motivações que nortearam o pensamento e as realizações de Déda foi, sem dúvidas, a continuidade do ideário progressista de Fausto Cardoso.

A história e o tempo uniram dois ilustres personagens da política sergipana. O sonho de Fausto Cardoso foi idealizado e, principalmente, realizado por Marcelo Déda.

Não irei deter-me na descrição biográfica do Déda. Entretanto, não há como negar que a sua ação política melhorou a vida de todos os sergipanos.

Déda trouxe desenvolvimento para os buscavam lucros, mas trouxe também e principalmente, dignidade para aqueles que buscavam um lugar ao sol.

Mas a morte, às vezes uma grande injusta, levou-o precocemente. E nesse triste momento, uma pergunta se fazia presente no imaginário da classe política e no coração dos sergipanos: “Quem terá a honradez de conduzir a esquerda progressista em Sergipe?”.

A resposta estava amparada na figura do jovem e promissor Rogério Carvalho, que cresceu na política graças a Marcelo Déda. Foi seu discípulo. O acompanhou.

Mas, não basta o convívio. É preciso compreender a grandiosidade de um líder. E foi aí que Rogério Carvalho pecou. Enquanto a esquerda sergipana, e principalmente o PT, esperava que ele assumisse a liderança, ele aceitou uma posição subalterna ao rejeitadíssimo governador Jackson Barreto.

Rogério não foi apenas incapaz de conduzir a esquerda e continuar os sonhos de Fausto Cardoso e Déda. Ele foi o grande responsável por fazer morrer a força no coração dos militantes históricos do PT estadual, como é o caso da deputada Ana Lúcia, que teve sua aposentadoria política anunciada precocemente.

Rogério abandonou os militantes esquerdistas no interior do Estado para se aliar aos políticos conservadores e representantes do atraso social, que em nada compactuam com os ideais históricos difundidos por Déda.

Hoje, a causa que move Rogério não é a social, mas, infelizmente, a manutenção dos cargos dos seus assessores e seu cada vez mais distante sonho de se tornar senador da República.

Rogério Carvalho é o símbolo do fracasso Abandonou a militância histórica para exercer uma subserviência à política conservadora. A política e a história não irão perdoá-lo.

[*] É professor de História.

Etc&Tal
@ Curioso como se convencionou que político “prestigia evento”. O cara é convidado para uma solenidade, uma cerimônia, e acredita que está mesmo prestigiando o evento – e não apenas participando. Mas que tanto prestígio é esse que eles ainda acreditam ter?

@ O deputado estadual Gilmar Carvalho fez uso da tribuna da Alese para comunicar que solicitou a realização de audiência pública com o intuito de discutir a situação da previdência estatal.

@ O parlamentar informou ainda que convidou a economista e especialista em orçamento, Mirelle Malaguti, para explanar o assunto e responder questionamentos, além de apontar alguns nortes para a questão previdenciária no Estado.

@ O vereador Fábio Meireles, PPS, lamentou a interdição ética do Conselho Regional de Enfermagem de Sergipe – Coren/SE – na Unidade de Pronto Atendimento Fernando Franco, no Conjunto Augusto Franco, Zona Sul de Aracaju.

@ Para o parlamentar, os interesses políticos por trás da medida não justificam a desassistência à população aracajuana. “Isso acaba matando o povo, sangra onde mais se precisa num momento tão delicado”, apontou durante pronunciamento na Câmara.

@ O vereador Carlito Alves, PRB, utilizou a Tribuna na Câmara para falar que a soma de oposição e situação é necessária para que o Executivo desempenhe um trabalho eficiente. “A oposição e situação pensam de forma diferente, mas é essa divergência entre pensamentos que contribui para o crescimento da cidade”, disse.

@ O parlamentar também fez um pedido ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, que preparasse a cidade para o próximo inverno. “Peço a Edvaldo que prepare a cidade para receber o nosso próximo inverno, pois os problemas se repetem e todos os anos nós acabamos subindo aqui nesta tribuna para falar sobre a mesma coisa”, afirmou.

@ O médico Gilberto dos Santos, muito ligado a Rogério Carvalho, desabona toda e qualquer movimentação que tenta colocar este petista na disputa pelo Governo de Sergipe.

@ “Nada disso procede. Tenho conversado com Rogério Carvalho, inclusive no partido. Ele é candidato a senador”, diz Gilberto.