Aparte
Opinião – Marcelo Déda, um legado deixado para todos

[*] Vitor Déda 

Nasci já amando a política, e ainda no ensino médio enchia meu caderno com adesivos de Marcelo Déda, então candidato a prefeito. A cada discurso, pedia para meus pais me levarem só para ouvir com muito orgulho os discursos do meu primo.

Aquela oratória era tão contagiante que se Marcelo fosse técnico de futebol, sua preleção seria imbatível. Bem, o tempo passou, ingressei na Universidade Tiradentes para cursar Direito e de cara fui convidado para fazer política no DCE, algo que encaixou no meu amor com a política.

O tempo foi passando, e o fogo incessante da política começou a literalmente me dominar. Devido a isso, ainda antes de colar grau, resolvi me filiar ao PT e porque não, me candidatar, tudo sem convite, apenas por ser o partido do meu primo que tenho como ídolo e por querer entrar em campo.

Lembro como se fosse hoje: jovem entusiasmado, fui até o gabinete de Marcelo Déda e, em um papo de muito, mais de muito aprendizado, ele desenhando em um bloco de papéis que tinha sob sua mesa, falou: “Vitor, Artuzinho (meu pai) e tio Artur (meu avô) estão sabendo?”.

Fui bem direto: “Não! Até porque acho que nesse exato momento não terei tal apoio, prefiro construir minha candidatura, para assim mostrar a coisa concreta para eles. Nesse momento preciso do seu aval político, apenas”.

E Déda, de forma bem cuidadosa, olhou para mim e disse: “Vitor, hoje (2012) infelizmente, eu não poderei te ajudar diretamente pedindo voto, até porque você bem sabe o modo de seu primo fazer política, tudo que venho construindo e vou construir na política é uma forma de ideia (legado) que não tem propriedade, é algo que jovens como você possam levar adiante. O que seu primo pode prometer é que, em 2016, se você ainda desejar ingressar na política, aí sim, te ajudo diretamente, pedindo voto. Mas, meu querido primo, pense com cuidado, a política é linda, mas as pedras doem muito, só o amor pode vencê-las”.

Foi assim meu papo com Marcelo Déda e pela primeira vez escrevo com riqueza de detalhes que vem na minha memória. O tempo passou, Marcelo Déda se foi para o plano superior, o partido dele ficou, mas sem sua liderança foi perdendo a estrela pela qual minha geração tanto se apaixonou.

Daí decidi seguir meu caminho e por esses caminhos, quase saí da política. Quase, até que em um dos meus tantos sonhos, a missão bateu em minha porta. Quanto ao tal legado que tanto ouvimos por aí, nesse breve papo que tive com Marcelo Déda sempre me vem à lembrança do que fora dito por ele:

“Tudo que venho construindo e vou construir na política é uma forma de ideia (legado) que não tem propriedade, é algo que jovens como você possam levar adiante". Isso significa que o legado de Déda não tem dono. Nenhum parente e nem mesmo nenhum político é o dono, mas todos tem o direito de exercê-lo com a mesma transparência e ética.

Todos. Não adianta colocar foto, discursar em palanque, O que de fato define o legado de Déda é sua execução. Apenas isso. Viva Marcelo Déda e seu legado imortal!

[*] É estudante de jornalismo, bacharel em Direito e membro da Executiva do PDT de Aracaju.

 

 

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