Aparte
Opinião - A Lava Jato nasceu na Carolina do Norte

[*] Rômulo Rodrigues

A chamada de capa no blog Brasil 247 na quarta-feira, 2 de setembro, obriga a fazer uma reflexão: “Após 44 anos, um homem negro condenado à prisão perpétua é inocentado nos Estados Unidos”.

Prossegue a matéria jornalística: em 1976, um homem negro de 20 anos, Ronnie Long, foi condenado à prisão perpétua, por um júri composto por apenas pessoas brancas.

A acusação contra ele foi feita por uma mulher branca de 54 anos, Sarah Just Bost, na Carolina do Norte, por violação e roubo.

Ronnie Long sempre se declarou inocente e de nada adiantaram os depoimentos de sua mãe e de sua namorada, ambas negras, dizendo que ele estava em casa se preparando para ir a uma festa.

Aliás, durante todo o julgamento, todas as provas apresentadas pela defesa não vieram ao caso, sendo sumariamente descartadas.

Agora, um grupo de três juízes do Tribunal de Apelação do Quarto Circuito dos EUA - TRF-4? - decidiu que os direitos dele foram violados quando as evidências que apontavam para sua inocência não tiveram peso no julgamento e que houve um padrão deliberado de supressão de provas por parte da polícia - ou seria MPF?

Entre as provas ignoradas estavam resultados de exames laboratoriais que não ligavam o acusado à cena do crime, provas de DNA que desapareceram e as 43 impressões digitais encontradas na cena do crime, nenhuma correspondendo às do acusado.

Sergio Fernando Moro nasceu em 1972, portanto, tinha quatro anos de idade quando Ronnie Long, negro, acusado sem provas, por um júri composto só por brancos, foi condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu.

Sergio Moro foi assessor da ministra Rosa Weber que condenou José Dirceu só pela literatura - sem provas. Talvez, a literatura da Carolina do Norte. Deltan Martinazzo Dallagnol - nome carregado de semelhança com a “Cosa Nostra” - nasceu em 1980, portanto, quatro anos depois da farsa do julgamento na Carolina do Norte.

Dá para ver que nenhum deles teve ligação com o julgamento fajuto na Carolina do Norte. Mas, os julgamentos de Curitiba são ligados por um grande elo - o método. E é com ele que aparecem as semelhanças.

Antes, vale lembrar que os EUA são o grande parâmetro ideológico da elite branca e dos seus seguidores nativos em busca de ascenderem, como classe, a ela.

Nos julgamentos de Ronnie Long e do presidente Lula, não dá para negar a repetição do método. No caso do negro americano, prevaleceu o critério da supremacia branca. No do ex-presidente, foi o ódio de classe contra um nordestino, operário e representante da classe trabalhadora.

A verdade vem à tona quando é revelada a participação intensa do FBI na operação da República de Curitiba, claro que com a distância de décadas, fatores novos apareceram na descoberta da farsa jurídica brasileira, como as torturas a que foram submetidos os delatores contra Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Outro fato significativo foi a pressão popular denunciando o caráter do julgamento. Mesmo que haja quem diga que a capacidade de reação do povo brasileiro nas ruas esteja aquém da de outros povos, ela está em andamento.

Muito pelo descaramento da quadrilha de Curitiba em considerar que toda feiticeira é corcunda e que todo brasileiro só tem bunda, como acaba de fazer o delinquente de Curitiba que fugiu da raia se escondendo atrás de uma filha bebê.

O certo é que a receita vinda da Carolina do Norte já começa a perder efeito por aqui e aquela justiça que eles amordaçaram através do general Villas Boas está saindo da letargia e inocentando quem nunca cometeu crimes como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Vaccari e Paulo Ferreira, e estão nas cordas do ringue para inocentar o presidente Lula.

O crime organizado ainda impera, mas o exemplo de coragem do acampamento Lula livre, 580 dias sem arredar o pé, aponta o caminho da organização da sociedade civil para a conquista definitiva de uma nação livre e soberana, com um estado verdadeiramente laico.

A bandidagem que eles tanto alardeiam, com todo o aparato do partido midiático, não está no povo e sim nos aparelhos coercitivos do Estado, onde imperam salários exorbitantes, vantagens acintosas e muita impunidade.

[*] É aposentado e militante político.

 

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