Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

O que justifica que Eduardo Amorim esteja flanando bem nas pesquisas pro Senado?
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Eduardo Amorim: qual é mesmo a tradução do bem-estar dele nas pesquisas para o Senado? (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

As diversas pesquisas eleitorais que esta Coluna Aparte tem visualizado neste ano de 2021 têm revelado um dado em comum e, de certo modo, curioso: uma boa performance do médico Eduardo Amorim, PSDB, quando não a liderança absoluta dele na maioria delas.

Mas como assim, se Eduardo Amorim saiu de uma disputa pelo mandato de governador de Sergipe em 2018 devidamente esboroado, esfacelado, aos cacos, com um terceiro lugar, ficando de fora de um segundo turno, que se dera entre Belivaldo Chagas, PSD, e Valadares Filho?

Afinal, o que os sergipanos estariam a ver nele nestes quase três anos em que está na planície, sem mandato algum? Acaso esse nosso Mister Bean teria ganhado corpo e sabores diferentes e de novo atrativos em seu modo de fazer política, ao ponto de cativar os sergipanos? Ou por acaso as pesquisas estrariam descalibradas?

Estaria Eduardo Amorim, desprovido agora do irmão e guru Edivan Amorim, que o abandara politicamente, voltando ao começo da sua retumbante carreira política e eleitoral?

Mas como assim, se Eduardo Amorim está sem poderes, e apenas lutando em sua condição sofrível de médico da ativa? Como assim decolando numa perspectiva de voltar ao Senado, se ele não tem uma gestão de secretário de Estado da Saúde para fazer política - como tivera até 2006, dada por João Alves Filho?

Marcelo Déda: reeleito governador em 2010 com 88 mil votos a menos do que a votação de Eduardo Amorim pro Senado

É preciso lembrar que esse suposto inflar de Eduardo Amorim de agora confronta e conflita com a ascensão e queda dele de 2006 a 2020. Em 14 anos, Eduardo foi do céu ao inferno político no looping doido, siderado. Como assim?

Basta medir a forma como Eduardo chegou na praça política em 2006, com os dois pés na jugular de um mandato de 116.466 votos - aquilo foi 11,46% dos votos válidos dos sergipanos.

Compare: o segundo colocado ali naquele ano, Jackson Barreto, que fazia política no Estado desde antes de Pedro Álvares Cabral aqui chegar, obteve 100.366 votos - ou 9,96% dos válidos.

Mas aqueles 116.466 votos de Eduardo em 2006 foram água choca diante dos 625.959 votos obtidos por ele quatro anos depois, para levar o mandato de senador. Aquilo correspondeu a 33,66% dos votos válidos da sergipanada.

Mais do que isso: com aqueles 625.959 votos, Eduardo Amorim botou 88.736 votos a mais do que o candidato ao Governo Marcelo Déda, que se reelegera ali em primeiro turno, com 537.223 mil votos.

Confiante em toda essa floração de votos, e sem ter nada a perder, porque teria mais quatro anos de mandato no Senado, Eduardo Amorim jogou suas cartas numa eleição de governador em 2014.

Bateu ali a cara contra o muro, ao perder para Jackson Barreto de 537.793 votos a 415.641 votos. Estes 415.641 são 210.318 a menos do que aqueles 625.959 votos obtidos pro Senado quatro anos antes. Mas castigo maior viria quatro anos depois.

Em 2018, o protagonismo eleitoral de Eduardo Amorim foi tão desidratado que, com os 202.349 votos que o deixaram fora de um segundo turno, ele viu descer pelo ralo nada menos do que 423.610 votos daqueles 625.959 votos obtidos para o Senado de oito anos antes.

Valadares Filho: em 2018 chegou na frente de Eduardo Amorim pro Estado, que não foi ao segundo turno

O fato é que nestes 14 anos de ação política, Eduardo Amorim errou demasiadamente. Chegou a dizer que fizera Comunicação Social para cuidar de si mesmo em campanhas. Tem cabimento uma heresia dessas?

Os menos generosos costumam ver em Eduardo Amorim uma das melhores almas humanas, mas certamente também a mais insossa para a política - uma atividade assaz ladina, flamejante.

Acham que falta-lhe o sal, no sentido bíblico. Não seria um ser encantador para as sarabandas da política, embora seja um sujeito muito ético. Republicano. E, para arruinar mais ainda o seu horizonte, teria perdido, desde a eleição de 2018, o encantamento do irmão Edivan - esse sim, o dono do sal, ainda na dimensão bíblica.

Mas, mesmo diante desse histórico, Eduardo Amorim não esconde de ninguém que a picada da mosca azul do poder lhe fez um efeito duradouro e, portanto, está trombeteando aos quatro cantos de Sergipe desde já que é um pré-candidato a senador em 2022.   

Mas basta esse trombetear dele para que já flane bem nas pesquisas eleitorais? É claro que pesquisa a exatamente um ano de distância das eleições deve ser encarada meio que como café-com-leite. Mas, ainda assim, qual é mesmo a tradução desse bem-estar de Eduardo Amorim nelas?

 

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