Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 43 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica.

Opinião - Educação em tempo integral, obrigatoriedade para alicerçar a construção de um futuro promissor!
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[*] Juliano Cesar Faria Souto

Tenho sido provocado pelo jornalista e amigo Jozailto Lima a formalizar aqui neste espaço do JLPolítica & Negócio com mais frequência minhas opiniões ou reflexões de modo a ampliar o leque de temas, uma vez que normalmente me atenho somente a economia e gestão, áreas onde atuo e nas quais me sinto mais confortável, e resolvi, portanto, me aventurar num tema que não domino tanto tecnicamente, mas pelo qual tenho muito apreço: o da educação.

Cresci num ambiente em que fui sempre incentivado ao bom hábito do estudo, da leitura, como base sólida para construção de uma carreira profissional ou empresarial, o que hoje valorizo e agradeço muito aos da minha família que fomentarem em mim uma visão de mundo diferenciada.

Como empresário e defensor do empreendedorismo como um pilar para a construção de uma sociedade próspera e menos desigual, acompanho com profundo interesse os debates sobre os desafios da geração de empregos, a formação de mão de obra e tenho me deparado ultimamente com um tema novo: o tal do nem-nem. O de jovens que nem estudam e nem trabalham.

Tudo isso vem acrescido de um consequente componente: a rede de proteção social com várias formas de “auxílios” públicos, que de certa forma induzem à informalidade e ao subemprego. Mas não pense você aí que sou contra esses tais auxílios. Longe disso. Pior seria sem eles.

A partir do nem-nem, tem-se um desafio: não temos mão de obra formada, pois temos um país com desenvolvimento extremamente desigual, ou a falta dela é causa para as desigualdades regionais que formam a nossa desigualdade geral?

Nesta reflexão, tentarei sair do rigor técnico como discussões de modelos de remuneração, gestão, negócios, conteúdos e outros temas que me sinto capaz de aprofundar, e tentarei lançar um desafio, que entendo seja possível implantar a curtíssimo prazo.

Numa visão simplista, isso pode ser o alicerce para a construção de um sistema educacional que possa ser a base para a tão sonhada transformação econômica e quem sabe até social, com redução dos nossos níveis de “insegurança” por criminalidade generalizada.

O desafio é o do ensino em tempo integral do maternal a faculdade, no qual as crianças, adolescentes e jovens brasileiros possam, através de uma ocupação acadêmica das 7h às 17h, de segunda a sábado, estar em ambiente seguro, realizando sua formação educacional completa em todas as áreas, como conhecimento teórico, prático, esportivo e até de saúde, alimentação e financeiro.  

Seria uma utopia pensar num Brasil onde todas as crianças e jovens estejam protegidas e preparadas educacionalmente em tempo integral? Não! 

Seria uma utopia nunca mais vermos uma criança na rua pedindo esmolas, pois haveria obrigatoriedade de ela estar numa escola em tempo integral, da creche a faculdade? Não!

Nesse momento inicial, o nível de excelência e qualidade estaria em construção, pois, ao meu ver, a base para tanto estaria sendo propiciada: ocupação sadia na maior parte do dia, como uma obrigação de Estado e compromisso dos pais, com normas rígidas e rigoroso controle social diante de qualquer descumprimento.

Penso que, se almejamos um futuro diferente da realidade que temos hoje - que não é boa e nem bonita -, teremos que agir no agora, com sistemas existentes onde vemos uma estrutura física tanto particular quanto pública ociosa nos contraturnos e ao mesmo tempo uma infância e uma juventude sendo criada sem a devida proteção e capacitação, uma vez que as famílias, algumas incompletas por motivo de necessidade de sobrevivência ou conhecimento, não conseguem dotá-las de suas necessidades.

O que vemos hoje é uma taxa de abandono escolar muito alta e tentamos atribuir isso aos conteúdos acadêmicos e a outras causas muito mais complexas. Mas talvez estejamos esquecendo do básico: a regra e a obrigatoriedade de aprender a estudar e a cumprir uma agenda de compromissos, e a partir daí aqueles que tenham mais propensão possam chegar ao ensino superior, aí já amparados no trabalho na maioria dos casos e os demais obrigatoriamente um aprendizado de uma profissão a nível técnico.

Temos uma estrutura estatal com Conselhos Tutelares, Ministério Público, Secretarias de Educação nos níveis municipais e estaduais, estrutura financeira do Fundeb e outros aspectos inclusivos, porém para que tudo isso possa ter efetividade penso que há a necessidade de uma mudança de postura da sociedade, onde passemos a entender como inaceitável e proibido ter-se uma criança ou um jovem fora da escola em tempo integral. Isso precisa ser um mantra sagrado - e também não é utopia.  

Os mais antigos entre nós lembram da árdua campanha pela obrigatoriedade do uso do cinto segurança nos automóveis e, com uma mudança de postura e punição, o não cumprimento de sua utilização tornou-se algo impensável nos dias de hoje.

Por que não aplicamos o mesmo fundamento à obrigatoriedade da educação em tempo integral como um alicerce seguro e definitivo para a construção de um futuro promissor?

Peço desculpas aos doutores que têm expertises supremas em educação, porém deixo aqui a minha ideia como um pequeno passo, mas com possibilidade de implantação e controle simples e eficaz como base para uma mudança complexa de toda a sociedade. Até porque o fosso de desigualdade social e educacional existente hoje no Brasil não interessa e nem serve a ninguém.

[*] É administrador de Empresas graduado pela Faculdade de Administração de Brasília, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Estanciano, 59 anos, é sócio administrador da empresa Fasouto no setor atacadista, distribuição e autosserviço na área de alimentação e líder empresarial, exercendo a Vice-Presidência da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores - ABAD.

 

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