Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Passaporte do insucesso de Rodrigo Valadares está carimbado para 2022
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Rodrigo Valadares: muita lambança e futuro comprometido

Para se fazer o vigésimo terceiro menos votado entre os 24 de Sergipe em 2018, chegando ao mandato da Alese cansadamente com 15.221, o deputado estadual Rodrigo Valadares, do PTB e da extrema direita sergipana, contou com 4.678 votos diretos dados de bandeja pelos seus padrinhos familiares.

Por seus padrinhos familiares entenda os então senador Antonio Carlos Valadares e deputado federal Valadares Filho, PSB. O primeiro é seu tio-avô, e Valadares Filho, um primo segundo - mas sempre, até ali, muito próximos e consideradeiros.

Estes dois políticos, aliados a lideranças regionais, estenderam a Rodrigo Valadares o tapete vermelho de um apoio forte e quase incondicional nos municípios de Simão Dias e de Poço Verde, onde eles têm ainda ampla influência política.

A consequência é que Rodrigo, dentro da sua votação geral minguada, saiu destas duas cidades com as malas infladas de votos - votos que o salvaram, literalmente, da degola. Por dois a menos, ele teria perdido a vaga para Vardo da Lotérica, de Itabaiana e PTB, que obteve 15.219. Daria empate e Vardo, mais velho, levaria a vaga.

Em Simão Dias, Rodrigo obteve 2.644 - 11,74% do total de votos válidos. Perdeu apenas para Esmeraldo Leal, PT, filho da terra e então secretário de Estado da Agricultura, que obteve 3.041 votos, mas ultrapassou Luciano Pimentel, PSB, que estava em disputa pela reeleição e obteve 2.515 votos.

Em Simão Dias, Rodrigo Valadares teve o suporte do vereador Pequeno Soares e de umas dez mais outras lideranças locais. Em Poço Verde, apoiado pelo ex-prefeito Toinho de Dorinha, PSB, Rodrigo levou 2.034 votos - o que fecha a conta dos 4.678.

Toinho de Dorinha hoje corta milhares de léguas para não vê-lo de perto. O mesmo ocorre em Lagarto com as lideranças isoladas de Clayton Moore e Deninho de Macarrão, que em 2018 lhe deram, ao lado de outros amigos, quase mil votos. Foram 981 votos, num colégio eleitoral fechado para quem não é do lugar.

Mas agora em 2020, com seu comportamento destemperado, agressivo, doidivano e sem ética na sucessão de Aracaju, Rodrigo Valadares jogou esse passado de relacionamento e esse cabedal de votos literalmente na lama.

Atacou sem precedentes e sem necessidade os parentes Valadares – a quem vem fustigando deselegantemente tão logo acabou a eleição de 2018. Em Simão Dias, com o irmão Fábio Valadares, tentou desmontar a candidatura de Cristiano Viana, PSB, num claro confronto à parentada. A situação lhe ficou tão feia que ao final ele não conseguiu sustentar a candidatura do irmão e teve participação zero numa sucessão que elegeu Cristiano.

De Simão Dias, Rodrigo Valadares saiu sem eleger um só vereador este ano. O Professor Abraão da Conceição, do PSL “dele”, foi eleito, mas é um político que Rodrigo tentou expulsar do PSL antes das eleições. O vereador Pequeno Soares, que em 2018 votou com ele para a Alese, foi reeleito bem agora, mas não quer vê-lo nem besuntado de ouro. Portanto, não votará nele em 2022.

“Deus me livre. Aqui em Simão Dias, Rodrigo brigou com Valadares e formou um grupo, mas depois brigou com o grupo. Brigou também com Cristiano Viana, brigou com o prefeito Marival Santana e brigou com o governador Belivaldo Chagas. Se ele entrar em Simão Dias, a gente bota pra fora”, diz Pequeno, em tom de humor.

Na verdade, como candidato a prefeito de Aracaju agora, Rodrigo Valadares foi duramente afrontoso com sua base familiar marco e original. Sustentou, injustamente, que Valadares Filho era um preguiçoso, levou seu núcleo familiar reduzido - mãe, irmão, mulher, filhos e a cachorrinha - à propaganda eleitoral da televisão e disse que os Valadares dele eram “apenas” aqueles, numa subestimação odiosa aos da sua origem, que não são pessoas ruins e jamais pedem pra ser desprezíveis.

A Coluna Aparte foi informada de que agora, no final da campanha aracajuana do segundo turno, vendo o lamaçal em que chafurdou - foi o mais virulento direitista de todos os direitistas envolvidos no processo -, Rodrigo Valadares andou ensaiando fazer um caminho de volta.

O alvo teria sido o primo Valadares Filho, a quem ele recorre agora lembrando e enfatizando que é um bom familiar. Mas, pelo que se soube, não conseguiu demover a pedra que foi posta sobre seu nome e sobre o seu futuro. O “primo” Valadares Filho teria lhe mandado amarrar seu jegue em outro toco.

E, por fim, que Rodrigo Valadares não pense que o estrago que ele fez em sua própria base política e familiar pode ser reparado lá na frente pelos votos de 28.598 aracajuanos recebidos no dia 15 de novembro.

Nada disso. O histórico das eleições de Sergipe mostra que cada disputa é diferente da outra, e que os votos não migram facilmente de um pleito para outro. E com as badernas envolvendo a Rodrigo, o PSL e os recursos do fundo partidário no final da campanha deste ano é que as coisas mais e mais se complicam no carimbar desse passaporte para o insucesso dele em 2022.

 

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