Aparte
Opinião -Tudo começou em 2012

[*] Jorge Santana

A então presidente Dilma Roussef desfrutava de excelentes índices de aprovação popular e, “imprudentemente”, ousou mexer em um vespeiro. A ocupante do palácio do Planalto cobrava que os bancos reduzissem os spreads e as taxas cobradas sobre a população.

"Confesso que ainda não estou satisfeita, porque os bancos e as financeiras e, de forma muito especial os cartões de crédito, podem reduzir ainda mais as taxas cobradas ao consumidor final diminuindo para níveis civilizados os seus ganhos”, dizia ela.

A presidente também afirmou que não descansaria enquanto não conseguisse equilibrar redução de impostos e tarifas sem comprometer a economia brasileira e os ganhos sociais obtidos nos últimos anos.
"Estou disposta a abrir um amplo diálogo com todas as forças políticas e produtivas para aprimorarmos o nosso sistema tributário", declarou Dilma em pronunciamento por ocasião de um Dia da Independência.

Na avaliação da presidente, "um novo ciclo de desenvolvimento" só seria possível a partir de mudanças na economia e na forma de gestão e com o avanço da inclusão social.

Daí em diante, o sistema financeiro, que há muito tutela a economia brasileira, instalou uma campanha insidiosa, baseada no "quanto pior, melhor" e, inconformada com a derrota do seu candidato em 2014, teve força para impor o austericídio via Joaquim Levy. 

Mas não bastou. Precisava mais, culminando com o golpe parlamentar de 2016, leviano e vulgar, que ficará na história pelas declarações patéticas de votos dos senhores deputados e senadores.

Daí veio Michel Temer, a PEC do Fim do Mundo (aquela que suprimiu recursos e enfraqueceu o sistema público de Saúde que agora tanto precisamos) e a avenida estava pavimentada para que um deputado medíocre e tosco conseguisse despertar o preconceito, o racismo, a homofobia e a misoginia em uma elite egoísta que ansiava por isso, invejada e seguida por setores da classe média, findasse por ser eleito, fazendo triunfar a estupidez.

Como se fosse pouco, chega o Novo Coronavírus provocando a Covid-19, um momento histórico disruptivo, daqueles que exigem verdadeiros líderes, equilibrados e agregadores, capazes de construir consensos. Mas eis que somos contemplados pelo oposto, ridicularizado mundo afora ao negar evidências científicas e insistir no falso dilema entre a vida e a economia.

Resta-nos, enquanto ainda há tempo, enfrentar a minoria que ainda o segue e exigir o impedimento do inominável, antes que sua marcha da insensatez nos leve ao abismo.

[*] É empresário.