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Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Queixas de Mendonça Prado contra Edvaldo têm lógica: o prefeito falhou!
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Mendonça Prado: pés nos peitos de Edvaldo Nogueira

O ex-deputado federal Mendonça Prado é notoriamente violento - e a referência à violência aqui é no campo verbal, lógico. Com ele, escreveu e não leu, o pau comeu. Sofre de incontinência nessa esfera.

E pelo menos uma dúzia de bons sergipanos já foram vítimas do verbo dele - reduzindo aqui, para não cansar o leitor, a Jackson Barreto, a André Moura e aos irmãos Amorim - Eduardo e Edivan Amorim.

No aspecto da violência verbal, muito apraz a esta coluna a conclusão de que Mendonça Prado seja uma espécie de cruzamento de três figuras indigestas da política brasileira - Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor de Mello e Ciro Gomes, trio explosivo para quem sopapos e cusparadas em desafetos sempre lhes caíram muito bem. 

Mas a coerência exige que se dê razão a Mendonça Prado nessa hora. Ele está correto no desabafo que fez nesta quarta contra o abandono de que se acha vítima por parte do prefeito Edvaldo Nogueira ao ser sacado há seis meses da Emsurb por decisão da Justiça, ter ficado no estaleiro esse tempo todo e sequer ter recebido um telefonema ou qualquer afago do prefeito.

Depois que a Justiça lhe absorveu, recomendando que voltasse inclusive às funções na Emsurb, Mendonça Prado resolveu esta semana abrir o peito e jogar a mágoa fora. E nesta quarta-feira, no Programa Jornal da Fan, da Fan FM, depois de justificar que não cometeu erro algum nas ações adotadas pela Emsurb no começo dessa gestão, ele não fez rodeio e foi direto na canela de Edvaldo.

“Você me tratou como se eu fosse um leproso. Quem é você, Edvaldo Nogueira, para me tratar dessa maneira?”, disse. A que maneira Mendonça se refere? “Tem seis meses que o prefeito Edvaldo Nogueira não me fez uma ligação. Não me deu um telefonema”, responde.

Numa atitude justa, e compatível com o abandono de que se acha vítima nesses seis meses, Mendonça Prado não aceitou ser mandado de volta à Emsurb. E, mais uma vez, o fez mandando um recado duríssimo ao prefeito.

“Eu estou lhe devolvendo o cargo. Bote lá quem você quiser. Como cidadão e como homem, você não chega à sola do meu sapato. Eu não preciso de Edvaldo Nogueira pra nada na minha vida. Nunca pedi cargo a Edvaldo. Eu fui indicado pelo governador Jackson Barreto”, disse Mendonça.

Diante de tudo isso, não restou outra saída a Edvaldo senão a de meter a viola no saco e sair pela tangente de uma humildade que lhe faltou durante os seis meses alegados pelo ex-auxiliar.

Depois do meio-dia desta quarta, Edvaldo despachou esta nota: “Compreendo a reação de Mendonça Prado, uma vez que, de fato, eu não liguei para ele no período em que esteve afastado do cargo de presidente da Emsurb”, disse.

E admitiu uma quase obviedade: “O que pode ter sido negligência de minha parte em relação à solidariedade que ele merece. Mas quero ratificar a minha confiança nele que, aliás, sempre reafirmei ao longo de todo esse processo. Como disse, entendo as razões de Mendonça e não vou polemizar sobre o assunto”.

Alguém do entorno do prefeito Edvaldo Nogueira precisa ser mais solidário, e honesto, e adverti-lo contra uma certa avareza no comportamento dele.

Quem o ouve dando entrevistas a rádios, vez por outra flagra um prefeito que parece ter chegado à Prefeitura de Aracaju por consequência exclusiva de suas forças políticas pessoais, quando na verdade ele é fruto de uma enorme coalizão. De um mutirão.

Edvaldo Nogueira é novo e precisa olhar melhor o futuro, mas no contexto de onde ele vem. Portanto, não tem necessidade de levantar tanto o muque para dizer que é liderança política autônoma e que só olha as horas pelo seu próprio relógio.

Têm atitudes dele e nele que soam demasiadamente ingratas, arrogantes e desleais com Jackson Barreto, com Lula, com Belivaldo Chagas e com tantos outros companheiros de agrupamento. Possivelmente, o desabafo de Mendonça Prado tenha soado como bálsamo e brisa suave a esses tantos outros maltratados.

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