Aparte
Opinião - Ibope mexe com os nervos de quem sente o bafo da derrota

[*] Edson Júnior

Pesquisas eleitorais sempre causam sentimentos antagônicos de amor e ódio. Se o resultado agrada a quem é bem avaliado, a pesquisa é elevada aos céus. Mas, se o resultado é ruim, passa a ser bombardeada com adjetivos nada pomposos.  

Na noite desta quinta-feira, 22, após a divulgação da segunda pesquisa Ibope pela TV Sergipe, as torcidas dos candidatos e candidatas se manifestaram pelas redes sociais. Faz parte do clima de arquibancada essa paixão clubista. É o lado emocional em campo.

Houve ótimas análises em artigos de verdadeiros titãs do jornalismo, avaliações atentas aos números e o que eles expressam, um fantástico exercício de metalinguagem. 

Em cada avaliação, algumas verdades comuns: 1) com 15 pontos à frente da segunda colocada, Edvaldo mantém favoritismo para vencer a eleição; 2) Com discurso excessivamente agressivo, a delegada Danielle Garcia não consegue a empatia do eleitor e por isso caiu na pesquisa; 3) Rodrigo Valadares começa a invadir o eleitorado de Danielle, já é uma ameaça a ela, e 4) Márcio Macedo não decola “nem a pau”, parece fincado no chão com toneladas de concreto aos pés. 

Não vou comentar os números da pesquisa. Isso já foi feito com brilho por analistas mais apropriados. Vou apenas tecer alguns comentários, como se estivesse em um bate-papo com bons amigos e amigas, tomando uma cervejinha bem gelada de final de tarde no mercado Antônio Franco. 

Sem qualquer juízo de valor sobre a pessoa Márcio Macedo, do Partido dos Trabalhadores, e a decisão do partido em romper com Edvaldo Nogueira, farei uma breve e respeitosa consideração. 

Embora candidato por um partido de massa, já testado no executivo municipal, Márcio não consegue lembrar aquele PT de Marcelo Déda. Permito-me avaliar como erro essa tentativa de associação dele com os feitos do saudoso Déda, inegavelmente um ser diferenciado e único. 

A propaganda eleitoral petista peca pela agressividade. É “pau em Edvaldo” a todo instante e um clima bucólico do PT de mil novecentos e antigamente. O último governo municipal petista foi em 2004 e passados 16 anos, muita coisa mudou na economia, na gestão pública, na política e na cabeça dos eleitores. 

Apelar para o antigo “modo petista de governar” envelheceu a candidatura de Márcio, além de trazer para a memória do eleitor fatos recentes da política que atingiram gravemente o partido. 

Já a delegada Danielle Garcia fixou no eleitor sua imagem de autoridade policial, não a de uma candidata à Prefeitura da cidade. Tanto o conteúdo da propaganda eleitoral quanto o gestual da delegada assustam o eleitor. Por isso, perde terreno.

Rodrigo Valadares está em transição político-ideológica. Antes defensor do PT e do Lula-Livre, diz-se rompido com a ideologia de esquerda e que agora é um conservador convicto. Rodrigo é novo, está na puberdade política, muito ainda vai acontecer e transformar sua mente. Aguardemos. 

Um velho amigo com quem conversei, após a divulgação do Ibope, revelava-se satisfeito com a liderança de Edvaldo e chocado com tanta agressividade na propaganda política de Danielle Garcia.

“Júnior, em televisão o julgamento é instantâneo, as pessoas gostam ou não gostam, e quando ela (Danielle) se apresentou parecendo que estava numa delegacia, ela agrada uma parte, mas desagrada quem estava indeciso e propenso a votar nela”, comentou esse amigo.

De fato, o julgamento em TV é instantâneo, e faço um reforço: a primeira impressão é a que fica nos labirintos do inconsciente. E faltando 22 dias para a eleição, será difícil tirar esse figurino da delegada Danielle Garcia.

Sua campanha erra desde o início. Tentaram transformá-la em algo que ela, possivelmente, não é. Mas é como está apresentada ao eleitorado.

Com a larga vantagem de 15% que Edvaldo abriu sobre ela, o bafo quente da derrota já deve soprar na coligação e aumentar as incertezas no bloco de apoio, composto pelo PL, de Edivan Amorim; PSDB, do irmão Eduardo Amorim, e o PSB, do ex-senador Valadares e do vice Valadares  Filho. 

A eleição deste ano é antessala para 2022 e um observatório sobre decisões tomadas por alguns partidos, que abusaram na agressividade ao atual prefeito Edvaldo Nogueira. Quem apostou no ódio, perderá. Ficará a lição.

[*] Jornalista.

 

 

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