Aparte
Opinião - Saudades do Asa Dura

Asa Dura da Vasp: ah tempos de deixar saudade

[*] Elton Coelho

O ano era mais ou menos 1989/90. Estudante de Licenciatura em História pela Universidade Federal de Sergipe, e já metido na política partidária e acadêmica, concorri a uma vaga no tão disputado ônibus universitário com destino ao Congresso da União Nacional dos Estudantes - UNE - em Brasília. 

Por uma dessas felizes coincidências - ou infelizes, no meu modo de ver - tive que disputar no “par ou ímpar” a única vaga que restava para dois membros do curso de História: eu e o amigo Antonio Bittencourt Júnior, que posteriormente seria eleito presidente do DCE/UFS, gestão da qual fiz parte como secretário-Geral.

Perdi. Com malas prontas e colchonete na praça Olympio Campos - de onde partiu o buzu -, recolhi meus apetrechos e fui dormir. Quase que não!

Já às 7h do dia seguinte, rumei para a UFS e corri um “livro de ouro”, espécie de rifa nos dias atuais, em busca de uma grana pra pagar uma passagem de avião. O Asa Dura - avião - sairia por volta das 16h30 do mesmo dia e eu poderia estar lá antecipadamente.

De professor a servidor, de amigos estudantes mais afortunados ao reitor da época, salvo engano Clodoaldo de Alencar, consegui juntar a bufunfa e migrei à agência de viagem, na rua Maruim. 

Fui recebido pela dona da empresa que ficou estupefata com o ocorrido. Larguei na mesa dela um monte de dinheiro de papel, moedas e até cheques de professores. Deu pra comprar o bilhete e ela, com os olhos brilhando, me ofereceu a volta gratuitamente.

Rejeitei, não por vaidade, mas porque queria voltar com meus colegas no ônibus, já que sabia de vagas garantidas no retorno. Detalhe: aquele foi meu primeiro voo na vida.

De Vasp, sem conhecer de nada, mas maravilhado com o prazer de voar. Cheguei em Brasília de noite, fui à UNB para o alojamento. Era hora de esperar meus colegas que ainda não haviam chegado e sequer imaginariam minha presença.

Foi a maior surpresa pra eles e pra mim de vida, de batalha, de perseguir objetivos. Todos ficaram sem entender como cheguei antes deles. 

Por estes dias senti saudades do primeiro Asa Dura da Vasp, e como já estou sem voar faz quase um ano, quem sabe ele já esteja batendo à porta. Pode não ser por livro de ouro, mas também pelo dinheiro de plástico que esticamos os prazos e obtemos o bilhete. A saber!