Aparte
Opinião - Bolsonaro, um grupelho de caminhoneiros e o Estado de Sítio do Picapau Amarelo (só se for)

[*] Leandro Pereira Gomes

Tivemos uma vitória do bom senso em meio a inúmeras bravatas extremistas. Afinal, quem realmente acreditou que o problema de Jair Bolsonaro era só com o “Xandão”?

Os ministros do Supremo sempre dialogaram entre si, e nos últimos discursos de Luiz Fux ficou evidente que o respeito que uns têm pelos outros e suas decisões se impõe às sanhas golpistas.

No Congresso, vemos um presidente da Câmara acovardado, mas que, sentindo-se acuado, sinaliza para Bolsonaro que não consegue mais passar panos quentes.

É provável que, em pouco tempo, o presidente da República tensione novamente essa corda, ou o que restou dela, mas com descrédito e desconfiança mesmo dentro de sua própria militância.

Com a aproximação de Michel Temer, e o nada que foi feito após o último dia sete, os radicais estão mais fracos.

Bolsonaro não tem o apoio dos liberais há mais de um ano, assim como de boa parte dos conservadores, e os ditos que sobraram, que odeiam a tradição do pensamento baseado na prudência, estão mais céticos.

Assim, com reacionários desmotivados, liberais e conservadores de verdade longe do governo, Bolsonaro só guarda oportunistas do voto e engajamento, que apostaram muitas fichas em 2020 no cavalo errado, e que agora esperavam um estado de sítio que nunca virá.

Isso que eles têm não é outra aposta, mas um discurso magoado da manutenção de um erro com alta chance de fracasso histórico.

Melhor seria apostarem na literatura infanto-juvenil ao pensarem em estado de sítio e sossegarem os fachos em casa até as próximas eleições.

[*] É jornalista, social media e titular da Coluna Política & Emprego do JLPolítica.

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