Aparte
OPINIÃO - A eleição mudou, mas a comunicação eleitoral também

[*] Karllene Costa

Não faz muito tempo que trabalhar em campanhas políticas significava ter várias maneiras de conquistar o eleitorado através das mais diversas estratégias de comunicação disponíveis. Houve uma época em que camisas, canetas e chaveiros eram distribuídos para a população ao tempo em que cantores maravilhosos reuniam multidões em showmícios. A sensação era de que não havia limite para os gastos de campanha.

A distribuição de brindes era a opção perfeita para um candidato cravar na memória do eleitor a sua marca. Ou melhor, o seu número. Sim, porque em se tratando de campanhas eleitorais, o que precisa ficar na mente das pessoas é o número - isso continua valendo. E os showmícios, a depender do candidato, eram os ambientes ideais para se falar sobre as propostas ou promessas.

Há quem defenda a forma como a eleição era feita antigamente. E há também quem diga que aquilo era a verdadeira prática do pão e circo. O fato é que atualmente o cenário está bem diferente. Não existe mais a distribuição de brindes e nem, tampouco, a permissão para a realização de festas com grandes atrações musicais. Hoje, as opções são limitadas e a que mais se destaca entre os candidatos é o uso das mídias digitais.

Pode-se dizer que esse é um cenário muito acessível, já que é mais fácil criar e alimentar uma rede social do que patrocinar a distribuição de brindes ou a realização de espetáculos com grandes nomes artísticos. Qualquer pessoa pode facilmente ter perfis nas diversas plataformas e fazer postagens nelas sem gastar nada com isso. Mas é necessário destacar que esse cenário não é tão simples quanto parece.

O que muitos candidatos não sabem, ou ainda não se deram conta, é que o eleitor que está na rede social não é fácil de ser conquistado. É preciso muito mais do que postagens sobre datas comemorativas ou sobre o que o político acha importante para atrair esse voto. O que vale mesmo é o relacionamento criado com esse eleitor. E para construir essa relação é indispensável, investir em estratégias de comunicação e marketing político.

O que as pessoas buscam nas redes sociais é o conteúdo que as interessa. Conteúdo de qualidade é crucial para atrair o eleitor, já que ele vai procurar os assuntos que devem satisfazer os seus anseios. E se o candidato só fala daquilo que acha interessante, certamente será mais difícil manter um relacionamento com as pessoas. E qual deve ser o caminho, então? O mesmo de todos os relacionamentos: alimentar a relação.

Conversar com o eleitor e descobrir o que ele quer é um bom começo. Humanizar os perfis e ser autêntico é necessário para consolidar a imagem política e depende de como o candidato trabalha a sua postura diante do eleitorado. Por isso, manter na equipe um profissional de comunicação experiente na área faz a diferença entre quem quer continuar candidato e quem quer alcançar o almejado cargo eletivo.

[*] É jornalista e consultora de comunicação política.

 

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