Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Ulices Andrade: “Quero priorizar a atividade-fim do TCE, que é o julgamento das contas”
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Ulices Andrade: o foco maior da nossa gestão será o cuidado com a atividade-fim

Aparte - O que é que vai marcar a gestão do senhor? Qual será o foco que o senhor quer dar a ela?
Ulices Andrade
- Na verdade, eu quero mirar e priorizar a atividade-fim do Tribunal dos Contas. Às vezes as pessoas ficam preocupadas com as atividades-meio. Eu vou fugir disso. E qual é a atividade-fim deste Tribunal? É o julgamento das contas.

Aparte - É a de assessorar os agentes públicos para que eles não errem muito?
UA -
É exatamente isso. Quando eu falo em atividade-fim, estou dizendo que queremos atuar de forma pedagógica, qualificando as pessoas que fazem o Estado. Eu quero dialogar com os administradores nas diversas esferas. Nós temos que atuar positivamente na atividade-fim, que é a de julgar contas.

Aparte - Com que objetivo se daria esta práxis?
UA -
Exatamente com a intenção de fazer com que o agente público erre menos, porque quando ele errar menos, vai nos ajudar a reduzir a sobrecarga de acontecimentos. Menos erros, menos processo. E menos erro e menos processo implicam recursos públicos melhormente aplicados. É o que nos interessa.

Aparte - De que forma sua gestão quer fazer isso?
UA -
Queremos fazer de uma forma bem pedagógica, sem perder, evidentemente, o respeito, porque nós estamos aqui também para punir. Em síntese, o foco maior da nossa gestão será o cuidado com a atividade-fim, mas para isso nós precisamos dialogar bem com os prefeitos.

Aparte – O TCE-SE tem preocupação de preparar o gestor para o menor erro?
UA -
Nossa preocupação vai ser a de requalificar sempre o nosso pessoal, fazendo palestras para os prefeitos e também seus assessores para que a gente busque e consiga uma melhor qualidade na aplicação dos recursos públicos na sua respectiva prestação de contas. Uma coisa vai desembocar na outra. Pode estar certa a sociedade que não teremos aqui nada de coisas mirabolantes.

Aparte – O senhor acha que o TCE cumpre o seu papel social de ser um órgão auxiliar nas diversas esferas do executivo sergipano?
UA -
Que não se tenha a menor dúvida disso. O TCE tem a sua função, e a cumpre. Com limites: a Justiça tem poder de polícia, nós não temos. Apuramos para passar para a Justiça, para que ela aja. E nisso devemos ser rigorosos. 

Aparte – A Justiça tem referendado as ações que saem do TCE?
UA -
Sim, tem sim. Não tenho dúvida disso.

Aparte - Como é que o senhor vê o TCE do ponte de vista da arrumação e das carências técnicas?
UA -
Na verdade, a evolução acelerada das tecnologias exige do TCE mudanças constantes. Mas nos modernizamos sempre, porque a cada dois anos as coisas de informática costumam se desfazer. Ficando obsoletas. Precisamos nos modernizar sempre, mas a situação atual do Estado não está dando muitas condições de evoluir nesse ritmo em função das dificuldades financeiras. Mas vamos buscar modernizá-lo dentro do possível para que possamos acompanhar todas as mudanças, sem perdas das funções objetivas da Casa, que é a de nos garantir uma fiscalização eficiente.

Aparte - Conselheiro sozinho não faz nada. A instituição está com um corpo de pessoal técnico bom?
UA -
Não diria que estamos muito bom. Digo que está razoável. Por que? Porque tem se aposentado muita gente e nós não podemos estar fazendo concurso a todo momento em função da carga que colocaríamos no Estado para ele estar pagando esses ônus. Mas nossa gestão espera suprir esta deficiência qualificando mais e mais as pessoas. E nos amparando na tecnologia da informação. Em vez de você mandar uma equipe para passar um dia em Propriá fiscalizando, por exemplo, temos que nos aperfeiçoar para que o gestor nos mande via dispositivos tecnológicos. Claro que não abriremos mão de fazer visitas in loco. Mas tentaremos ser mais eficientes e mudar a forma como fazemos hoje, para que com menos pessoas possamos exercer uma fiscalização mais eficiente.

Nesta sexta-feira, às 9h da manhã, o conselheiro Ulices Andrade, 63 anos, assume a Presidência do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, para um mandato de dois anos - vai até 31 de dezembro de 2019 -, em substituição ao conselheiro Clovis Barbosa e será sucedido por Luiz Augusto Carvalho Ribeiro, o Pupinha.

O sucessor de Clovis Barbosa não é um neófito, muito menos um marinheiro de primeira viagem nesta esfera. Nascido em 25 de fevereiro de 1954, em Canhoba, Ulices Andrade, com formação acadêmica em Administração de Empresas, teve cinco mandatos de deputado estadual e foi secretário de Estado por três vezes, além de ter presidido o Poder Legislativo do Estado por duas vezes. É um sujeito duro. Tucudo.

Ulices chegou ao TCE-SE em 14 de outubro de 2010. Com pouco mais de sete atos, assume hoje o seu comando, mas com poder de mando só a partir de 1° de janeiro de 2018. E chega querendo dar ao Tribunal o real foco para o qual ele foi criado.

“Eu quero mirar e priorizar a atividade-fim do Tribunal dos Contas. Às vezes as pessoas ficam preocupadas com as atividades-meio. Eu vou fugir disso. E qual é a atividade-fim deste Tribunal? É o julgamento das contas”, diz. Veja a seguir a entrevista que ele deu nesta quinta à coluna Aparte aqui do JLPolítica.

Ulices Andrade: TCE tem sua função e a cumpre
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