Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Wellington Paixão: “Na Sergás, eu defendo os interesses do Estado”
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Wellington Paixão: “O parlamentar tem um ponto de vista corporativo”

Nos últimos dias, o deputado estadual Zezinho Guimarães, PMDB, mirou forte a Sergás - Sergipe Gás S/A -, a Companhia de direito privado, sociedade de economia mista, vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, que administra os negócios com o gás no Estado.

Zezinho Guimarães andou falando até na necessidade uma auditoria nela. O presidente da companhia, ex-prefeito de Aracaju Wellington Paixão, sentiu o peso das intenções, e não baixou o semblante. “Ele está pedindo auditoria no contrato de concessão. Não é na Sergás, propriamente dito”, diz.

Para Wellington, se a pretensão de Zezinho for a de atender interesses corporativos, não se sustenta. “Você não pode adulterar um contrato de 25 anos para atender a apenas um segmento. Se você tem um contrato de concessão fácil, flexível, que setores corporativos podem mexer nele, a empresa não tem segurança para a investidores”, avisa.

Mas, experimentado político, nem por isso Wellington Paixão estranha as intenções de Zezinho. “Todos podem pedir o que quiserem, assim como dizer o que quiserem. O que eu gostaria é que Zezinho Guimarães nos fizesse uma visita”, diz. Veja os pontos de vista de Wellington Paixão nesta entrevista. 

Aparte -Tem pertinência o deputado Zezinho Guimarães pedir auditoria para a Sergás?
Wellington Paixão -
Ele está pedindo auditoria no contrato de concessão. Não é na Sergás, propriamente dito. É no documento pelo qual o Estado concedeu à Sergas o direito de explorar o gás natural de Sergipe. Se você for observar, a concessão é pertinente do ponto de vista do Estado.

Aparte – Mas parece não ser esta a intenção do prlamentar?
WP –
Se for do ponto de vista corporativo, dos industriais, e essa parece ser é a preocupação dele, aí não tem pertinência. Você não pode adulterar um contrato de 25 anos para atender a apenas um segmento.

Aparte - Como é a composição da Sergás hoje? Quanto é do Estado e quanto dos japoneses?
WP -
Em ações ordinárias, são 51% do Estado e o restante para a Mitsui e para a Petrobras. Nas ações preferenciais, o Estado tem 17% e o restante para os dois sócios. Sempre foi assim, e isso tem 25 anos.

Aparte – O senhor recebe essa intenção e esse pedido do Zezinho com naturalidade?
WP –
Olha, todos podem pedir o que quiserem, assim como dizer o que quiserem. O que eu gostaria é que Zezinho Guimarães nos fizesse uma visita.

Aparte - Ele deveria ter procurado o senhor primeiro?
WP -
Não é bem isso. Veja, ele ligou para o governador e pediu para eu atendê-lo. Eu achei uma imensa desnecessidade ele ter que ligar para o governador para isso. Eu tenho o dever de atender o deputado. Até porque Zezinho foi secretário da Indústria e Comércio, antiga área da Sergás, e não me lembro nenhum pronunciamento dele neste sentido.

Aparte – Essa preocupação dele é nova?
WP –
Ele tem três mandatos de deputado e também nunca fez um pronunciamento sobre a empresa. Ele conheceria profundamente todos os detalhes da Sergás e nós discutiríamos abertamente o contrato. Mas deixo claro: do ponto de vista do Estado e não de corporações privadas.

Aparte – Isso tornaria desnecessária a auditoria que ele pede?
WP -
Do ponto de vista das necessidades dele, eu poderia explicitar o que ele quer. O parlamentar tem um ponto de vista corporativo, de defender os interesses dos industriais. Se você tem um contrato fácil, flexível, que setores corporativos podem mexer nele, a empresa não tem como oferecer segurança para os investidores. O presidente da Sergás, representando o Estado lá dentro, está à disposição para discutir com qualquer segmento, principalmente com meu amigo Zezinho Guimarães, a questão do contrato de concessão do ponto de vista do interesse do Estado. Não do interesse de grupos privados. O deputado está defendendo interesses corporativos, o que é legítimo. Eu estou defendendo os interesses do Estado.   

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