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Poema Jozailto Lima/Ilustração Ronaldson

adélia prado acosta
alguns carrinhos de mão
de areia à construção
do meu espanto poético.
 
eu fico a me perguntar
meu deus
de onde essa mulher
compulsa tanta argila
tanta massa essencial
para tantos pães.
 
deus faz que não me ouve
continua amassando
com a mão
bolinhos de feijão
saciando bocas invisíveis.
 
eu desconfio
que o próprio deus
é essa tal de adélia
cravado nas pregas
dos vestidos dela.
 

(Do livro “Ainda os lobos”, editora Patuá, São Paulo, 2016).

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Telma
A poesia de Adélia Prado é bem assim como poemisa o Jozailto. Eita orgulho e alegria de ler essas duas feras da literatura brasileira. E pra acompanhar a ilustração do Ronaldson está perfeita.
Prof Paulino
Antes de ir estudar no seminário, eu aprendi a degustar bolinhos de feijao amassados com minha mão e molhados no caldo de galinha. Por isso apreciei sobremaneira este teu poema . Abraço grande Joza.
Maruze Oliveira Reis
Que poema maravilhoso ! Carrega toda a ancestralidade da poesia em Deus de Adélia, transbordando mais poesia ,para compor quantos outros a poesia permitir . Uma revelação! E a ilustração da cor ao extraordinário!
Marcelo Valois
Meu querido, "Professor". A cada palavra sua colocada na linha e no prumo da sua construção poética, aprendo mais. E aprendo com brilho nos olhos e um sorriso no rosto da alma, como fosse eu uma criança que desvenda enigmas!
Ylvange Tavares
Maravilhoso! Palavras sábias. Show de conotações. Parabéns
Romulo Rodrigues
O que precisava ler nesta manhã de domingo.
Noedson Valois
Parabéns pela construção poética.