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DE UM BEM-NASCIDO
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Poema Jozailto Lima/Ilustração Ronaldson

quando nasci
o pai disse eira
a mãe gritou beira
e a parteira, ó mãe diquinha,
que raio de parto,
ou algo assim como
que o raio o parta
 
quando dei por mim
e abri os olhos
a parteira tinha zarpado
um larápio havia
me feito um rapto
e a mãe dizia
nas cinzas da cozinha
eita menino sem eira
e o pai no cimo duma montaria
acomodava-me na algibeira
sem fundo, furada e vazia.
 
e só muito depois
deste trágico nascido
é que dei por conta
- mas que conversa alongada e bronca –
que tudo não passou de brincadeira:
eis então a razão desta vida assim,
sem pé nem cabeça, sem eira nem beira.
 
Do livro “Viagem na Argila”, edição do autor, gráfica J.Andrade, Aracaju, Sergipe, 2012.

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Aglacy Mary
Uma vida assim, na qual o raio encontrou direitinho o sem-fundo da algibeira, e sacudiu as ideias do nascido, e o fez partir para alguns começos sem fim. Bendita parteira!