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Deborah Pimentel: “Dificilmente alguém vai superar João Alves nos próximos 100 anos” 
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“João Alves Filho: A saga de um político nordestino”: um livro de fôlego lago

Governador de Sergipe por três mandatos, prefeito de Aracaju por dois, João Alves Filho nasceu no dia 3 de julho de 1941, morreu no dia 24 de novembro de 2020 e, se depender da psicanalista e pesquisadora Deborah Pimentel, historicamente ele renascerá hoje, a partir das 17hs, no Museu da Gente Sergipana, através do lançamento da biografia “João Alves Filho: A saga de um político nordestino”.

Porque, através desse trabalho de fôlego com cerca de 500 páginas, Deborah Pimentel deixa patente o peso, a importância e a significação política e administrativa de João Alves Filho em cerca de 30 anos para o Estado de Sergipe e sua capital. 

“Devo dizer que João Aves Filho foi um ser singular. Único, e deixou uma marca incrivelmente significativa na vida do Estado. As maiores obras feitas em Aracaju e em todo o Estado de Sergipe têm a assinatura dele. As obras mais importantes levam o DNA dele”, diz a biógrafa. 

Depois de três anos de pesquisas, Deborah Pimentel conseguiu enfeixar tudo em um livro generoso e honesto, com muitas fotografias e tudo o mais que devesse ser dito do biografado. 
Ela é grata à família dele e a alguns amigos que se abriram em colaboração para a feitura da biografia. No corre da arrumação do lançamento, Deborah arranjou tempo para dar a seguintes informações aos leitores da Coluna Aparte nesta segunda-feira, 11.
 
Aparte - A senhora teve dificuldade em encontrar documentação histórica e específica dos quase 40 anos de vida pública para a formatação da biografia “João Alves Filho: A saga de um político nordestino”?
Deborah Pimentel –
Não. Não tive dificuldade nenhuma. A primeira fase da pesquisa sobre a vida de João Alves eu colhi a partir de um material de Marlene Alves Calumby, a irmã dele. Ela tinha escrito dois livros bons e os usei como referências. Das outras fases da vida dele, como as mais recentes, a própria internet é um lugar maravilhoso para se fazer buscas. Inclusive me vali de muitas notícias e artigos seus, senhor Jozailto Lima.

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Aparte - Foi alto o índice de pessoas pesquisadas ou consultadas?
DP -
Eu devo ter entrevistado umas 15 a 20 pessoas da vida sergipana próximas a João Alves. Foram ex-secretários de Estado que trabalharam com ele, familiares, e para as minhas necessidades foi o bastante - até porque alguns dos entrevistados já não detinham mais tantos detalhes desejados. De modo que, como pesquisadora, você sabe quando chega um momento de corte.

Aparte - Mas o que de novo o leitor vai ver nessa história pessoal da vida de João?
DB -
Creio que sua pergunta já quase responde: eu acho que o leitor vai ver o lado pessoal de João Alves Filho. O lado humano. O lado família. A biografia “João Alves Filho: A saga de um político nordestino” traz todos os fatos da vida pessoal dele que, ao meu ver, enriquecem bastante o livro. E traz, ainda, consubstanciando isso, documentos pessoais que demostram melhor a figura de João. Eu tive acesso a documentos pessoais da biblioteca particular dele - a senadora nos abriu este espaço. Eu trago não somente detalhes de anotações pessoais dele, mas também o gosto pelo cinema, pela música clássica, pela literatura. O que ele consumia como leitor e como homem de cultura. Ele realmente impressiona.

Aparte - Neste aspecto pessoal, João Alves era de fato um sujeito erudito ou apenas um envernizado?
DP -
Ele era um sujeito erudito mesmo! E sabe o que me impressiona? É que muitos dos políticos sergipanos têm um ghost writer. Tem alguém que escreve ideias para eles. Com João isso não se aplica. Ele escrevia. Quando se adentra pelos livros e as anotações dele, percebe-se que era um sujeito mesmo erudito, que tinha real conhecimento de causa de absolutamente tudo o que se propunha a tratar. De modo que jamais alguém conseguia escrever por ele, porque ele era detentor do saber sobre tudo o que escrevia. Ele realmente detinha mesmo expertise sobre tudo aquilo que escrevia.

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Aparte - É possível escrever a biografia de um homem público sem resvalar pro lado particular dele?
DP -
Diria que isso é impossível, e de fato tive de trazer detalhes da vida pessoal dele no campo que você puder imaginar: das amizades, de como é que ele tratava os aliados, os oponentes, os amigos, a família. Trago o lado doce de João enquanto pai – coisas desse gênero.

Aparte - A família foi colaborativa na fase da pesquisa?
DP -
Eu entrevistei em profundidade as duas filhas, a esposa e o filho João Alves Neto no primeiro momento. Acho que o depoimento principalmente da filha Cristiana foi maravilhoso e contribui muito.

Aparte - A senhora encontra traços de compulsão em João para o trabalho?
DP -
Ah, com certeza absoluta esse diagnóstico eu dei - ele era mesmo um workaholic – um viciado em trabalho. Mas ele tinha um outro lado, que talvez as pessoas não conhecessem, que era o lado depressivo. E ele tratava disso.

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Aparte - A senhora consegue identificar um paralelo para ele em um outro político sergipano?
DP -
Absolutamente não. Devo dizer que João Aves Filho foi um ser singular. Único, e deixou uma marca incrivelmente significativa na vida do Estado. As maiores obras feitas em Aracaju e em todo o Estado de Sergipe têm a assinatura dele. As obras mais importantes levam o DNA dele. Ele deu, ainda, uma contribuição incrível enquanto ministro do Interior no Governo de José Sarney ao povo do interior do Brasil - e olhou muito pro povo nordestino com o Projeto Padre Cícero. E ao fundar o Ibama, João deu uma contribuição fantástica ao meio ambiente do Brasil. Ele cuidou da Amazonas e dos diversas biomas. Cuidou dos indígenas. Dificilmente alguém vai superar João Alves nos próximos 100 anos. 

Aparte - É possível aferir o que teria sido de Sergipe não fossem a existência e presença de João Alves?
DP -
Eu acho que não. Sem concessões, é preciso dizer que João Alves realmente é um diferencial. Há um Estado de Sergipe antes e outro depois de João. 

Aparte - A senhora tem dito que a viúva Maria do Carmo Alves não viu de véspera nada do que fora escrito. A senhora acha que ela aprovará 100% do que vai no livro?
DP -
Eu acho que sim, porque essa biografia traz um lado muito humano de João. “João Alves Filho: A saga de um político nordestino" resgata, efetivamente, João e a obra dele - porque o final da vida de João eu diria que foi muito triste. Foi quase no ostracismo e creio que a gente faz uma recuperação histórica importante e a família tem do que ficar feliz, sim. Se me perguntarem se omiti algum fato, algum indício de escândalo na vida dele, direi que não. Tudo foi revelado no livro e tudo tem referências. Diria que 100% do que está lá são referenciados. Os fatos de que trato estiveram aí nos principais jornais, na mídia, no google. Falo da via sacra dele, dos julgamentos, mas também do sucesso dele nas decisões finais nos tribunais superiores.

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Aparte - A senhora diria que o embate dele entre 2002 e 2006 com Lula, enquanto os dois foram chefes de executivo, foi o pior momento da história de João?
DP -
Diria, sem medo de errar, que aquele foi o pior momento da história pessoal e política de João. Até porque Lula tinha em Marcelo Déda um grande aliado aqui dentro, que queria ser governador e azucrinava - não sei se é a palavra certa - a vida dele juntamente a Lula. E está documentado em livros que Lula prometeu que iria destruir João, ele ficou literalmente numa sinuca de bico. Tiveram alguns projetos importantes abortados em boicotes literais do Governo Federal.

Aparte - “João Alves Filho: A saga de um político nordestino” é uma biografia que contempla por inteiro a importância de João ou ainda há algo na cauda dele a ser dito?
DP -
Eu me dou à lógica de achar que uma biografia nunca é de tudo completa, porque existem vários olhares e várias percepções e não há dúvidas de que existem muitas outras cosias que ainda podem ser pesquisadas. Eu espero que novos pesquisadores façam desse livro uma catapulta para ver mais além. Nada é feito por completo. É sempre possível dar espaço a um novo olhar.

Aparte – Toda esta história lhe rendeu uma biografia de quantas páginas?
DP -
São quase 500 páginas com muitas fotografias. Foram três anos de pesquisas.

 

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Elson Melo
João Alves foi, inegavelmente, o melhor governador que Sergipe teve. Por via de consequência o mais talentoso e maior político estadual na era moderna. Era um 'animador' da frágil economia e suporte assumido do desenvolvimento. Superior a Lourival Baptista, que, antes dele, promoveu uma ruptura do marasmo que ditava o ritmo da conjuntura sergipana. Como Lourival, o 'Negao' construiu e inovou muito, mas o superou no plano nacional.
maria Auxiluadora Reis
Eu fyu eleitora de João desde da minha primeira votação , deixei de votar quando ele foi prefeito da ultima vez ,por mudança de endereço ,maa João Alves para mim , e para quem o reconhece foi um dos melhores governador , ,foi um politico que mais travalhou deixou um grande legado, em nosso estado ,grandes obras ..
maria Auxiluadora Reis
Eu fyu eleitora de João desde da minha primeira votação , deixei de votar quando ele foi prefeito da ultima vez ,por mudança de endereço ,maa João Alves para mim , e para quem o reconhece foi um dos melhores governador , ,foi um politico que mais travalhou deixou um grande legado, em nosso estado ,grandes obras ..