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EXÉQUIAS (UM CAMPO NADA EM FLOR)
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Poema Jozailto Lima/Ilustração Ronaldson

no meu campo em flor
flora um tanto assim de nada
: sapos não pulam
: corujas não piam.

os verbos são tão desidratados
que no meu campo assim
um tanto de nada nem flora
:
as saúvas de há muito disseram adeus
às tocas de boca aberta
e os sabiás embalsamaram o gorjear
da minha terra que nem mais palmeira tem.
no meu campo que flora um tanto assim
de nada
há três cruzes cravadas
à beira-língua
e um pedido                       cheio de agonia
em favor da paz do bando
buliçoso das borboletas que lá não vão pousar.
eu assinto tudo e me aquieto.
e sequer ouso um assovio no aço da memória
 
e dou
um salve à cebola que inunda os olhos da pátria
pútrida,
inculta e bela.
 

(Do livro “Ainda os lobos”, editora Patuá, São Paulo, 2016).

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Telma
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Mas... sempre "Renova-se a esperança. No vá aurora à cada dia"
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O GRITO no silêncio de tudo , ecoando forte no coração da pátria! Bravo ! Bravíssimo!