Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

A “nova” mãe ama incondicionalmente, trabalha, malha... mas não é perfeita
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Rafaella Vieira: mãe, profissional e uma mulher que aprendeu a seguir em frente apesar das críticas

Até bem pouco tempo atrás, mulheres eram vistas como seres inferiores, sem capacidade intelectual para votar, dirigir empresas, governar e até tomarem conta de si mesmas sem a supervisão de um homem - afff. Esse contexto alimentou a ideia de que estariam no mundo apenas para parir.

Com o avanço da disseminação de ideias mais feministas, que pregam a igualdade de gênero em detrimento da supremacia de um ou outro, esse cenário foi se modificando. Mas, infelizmente, a passos bem lentos e deixando um rastro de vícios, preconceitos e violências.

Hoje, apesar dos avanços, as cobranças por mulheres – e mães – perfeitas ainda é uma realidade. Mãe de duas meninas – Manu e Esther –, a jornalista e consultora de Marketing Digital Rafaella Vieira divide seu tempo entre a família, a profissão, os cuidados e hobbies, e ainda se aventura na internet, como digital influencer.

Mesmo assim, recebe críticas relacionadas à aparência, à forma como lida com as filhas, etc. “Semana passada me perguntaram se estava grávida. Depois se ia fazer tratamento pra estrias. Coisa é no puerpério. Recebi mensagens severas sobre amamentação e licença maternidade”, revela Rafaella Vieira.

Ela admite ter sofrido muito com algumas das críticas, em saber que alguém não gostava dela, mas a maturidade a fez ficar mais seletiva e cansada de ter razão. Mesmo tendo, nesse caso. “A cobrança sempre vai existir em tudo, quando você namora, quando casa, quando tem filho, quando tem o segundo. Agora me perguntam do terceiro, se vou tentar um menino”, diz ela.

Segundo Rafaella, a cobrança está também na própria mulher. “Em querermos fazer tudo e com excelência. E na pandemia parece que temos que ser produtivos o tempo todo, e não é bem assim. Eu me cobro muito, mas aprendi a me acolher quando necessário e tenho me sentido melhor”, comemora.

Como, então, ser mãe nesse mundo de hoje, onde as mulheres têm mais liberdade e, também, mais responsabilidade, enquanto homens recebem “passadas de panos”? “Sempre quis ser mãe, mas confesso que priorizei meu trabalho por muitos anos. Sei que hoje tenho mais condições psicológicas e financeiras para tal função, mas que dá medo, dá”, admite.

No entanto, de acordo com Rafa, a maternidade transforma esse receio em encorajamento. “As responsabilidades são muitas, mas sou uma mãe sem mimimi. Só doença que me deixa nervosa, o resto, a gente ajeita, tenta, compreende. E mais: as crianças são sensíveis, nos ensinam demais”, afirma.

O fato é que, ainda hoje, a sociedade não entende que o super poder de uma mulher e de uma mãe está exatamente nisso: em ela ser o melhor que puder ser dentro de suas possibilidades e não do ideal que se propagou. Está em acordar cedo para organizar a saída dos filhos para a escola, mas também em arrumar um tempo para si, porque é necessário ou simplesmente porque se quer.

“Gosto de tomar um bom café da manhã e treinar, que me ajuda bastante no controle da ansiedade. Vou para o computador e começa a rotina de trabalhos, reuniões, planejamentos, postagens e consultorias. Meu home office tem pausa para o cafezinho, barulho e pausa para brincar com minhas meninas”, conta Rafa.

É preciso ter em mente que nem sempre dá para ser boa em tudo. E que está tudo bem não ser. “Às vezes, estou mais focada no trabalho, às vezes nelas, às vezes em mim. Mas uma coisa é certa: estar perto delas me dá força e alegria, sabe? Por mais cansada que esteja, sempre tenho aqueles 10% de energia que fazem muita diferença no meu dia a dia”.

No próximo domingo, Dia das Mães, e em todos os dias, celebremos a verdadeira liberdade de nos aceitar como somos, com medos, receios, imperfeições, renúncias e escolhas. Quem sabe assim, um dia todas as mulheres e mães construam e vivam seus próprios manuais de maternidade sem receberem questionamentos e críticas.

Já que, por muitos anos, mulheres em todo o mundo quiseram ter poder de decisão sobre seus corpos. Quiseram poder escolher se seriam mães ou não. E, se fossem, quantos filhos teriam. Quiseram escolher em quem votar e também ser votadas. Quiseram poder vestir o que melhor lhes caísse. Quiseram estudar, trabalhar, escolher o amor – ou mesmo escolher a solidão. Quando tudo isso for plena e realmente possível, teremos um Dia das Mães ainda mais feliz.

 

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Vânia Sobrinho
A matéria da jornalista Rafaella Vieira, contemplou bem o ser mulher. Parabéns.