Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Armamento de mulheres não é sinônimo de empoderamento feminino
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Goretti defende conscientização e não armamento

Esta semana, o deputado estadual Rodrigo Valadares, PTB,  defendeu o armamento feminino como o “verdadeiro empoderamento feminino”. A frase, típica dos defensores das armas como instrumentos de defesa, é, no mínimo irresponsável em um país onde o número de feminicídios só aumenta e que tem parte desses crimes praticada com armas de fogo. 

Vejamos: o Brasil registrou, no primeiro semestre de 2020, 648 feminicídios. Os números evidenciam um aumento de 1,9% em comparação com o mesmo período de 2019. Entre janeiro e junho de 2019, 636 mulheres morreram vítimas do feminicídio.

Em 2019, 1.326 mulheres morreram nas garras de feminicidas. Esse número foi de 1.229 em 2018; 1.075, em 2017; e 929, em 2016. Ou seja, houve um incremento de 43% em apenas quatro anos.

Em 2019, 66,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram negras. O percentual revela uma maior vulnerabilidade dessas mulheres, uma vez que elas representavam 52,4% da população feminina.

Entre 2007 e 2017, o assassinato de mulheres por arma de fogo aumentou mais dentro do que fora de casa. No período, houve um aumento de aproximadamente 30% no número de homicídios de mulheres em ambiente doméstico com disparos de arma. 

Do lado de fora, o crescimento das mortes de mulheres por arma de fogo foi de 17,5%. Os dados são do Atlas da Violência, relatório com dados de violência que abrangem o período de dez anos, entre 2007 e 2017 - portanto, o último divulgado. 

O estudo, assinado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea -, conta com índices do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. 

Vale lembrar que diversas pesquisas trabalham com indicadores de risco nos casos de violência doméstica, sendo que um desses indicadores é justamente acesso a armas de fogo, porque quando o homem tem o momento de explosão, do agravamento do ciclo de violência, se ele tiver uma arma ao seu alcance, ele vai usar. 

Na contramão dos estudos e de todos esses dados, o presidente Jair Bolsonaro emitiu decretos para flexibilizar o porte e a posse de arma de fogo, ampliando a  possibilidade de que cada vez mais cidadãos tenham uma arma de fogo dentro de casa tende e, consequentemente, as use contra suas mulheres.

Exatamente por isso, a deputada estadual Goretti Reis, PSD, procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa, não entende como o armamento pode ser mecanismos de proteção à mulher e acredita que esse contexto precisa ser revisto. 

Ela cita, por exemplo, o projeto de lei que autoriza o porte de arma de fogo para as mulheres sob medida protetiva devidamente decretada por ordem judicial.

“Quando o assunto são vidas, é necessário ter cautela. Em caso de uso de armas, as chances de uma mulher sobreviver são muito mais raras. Acredito que a ampliação da posse de armas de fogo no país irá agravar o número de vítimas de feminicídio”, avalia Goretti Reis. 

De acordo com a deputada, quanto mais armas são disponibilizadas, mais se instiga a violência. “As pessoas estão sem limites e controle. O fato de os agressores saberem que suas vítimas possuem armas, os instigam à violência, e pior, a usarem, essa mesma arma, contra elas”, argumenta.

Goretti é a favor de campanhas de conscientização, do trabalho com os agressores, a exemplo dos Grupos Reflexivos. “O poder público precisa assegurar medidas protetivas para o cidadão, independentemente do gênero. Assim, poderemos ter uma sociedade mais justa”, ressalta. 

Ou seja, empoderamento feminino está mais para a luta contra o machismo, o sexismo, a objetificação da mulher do que o armamento dela. Está mais para a escolha de representantes que pensem, de fato, na construção de uma sociedade menos desigual e não em paliativos que criem polêmicas e gerem engajamento nas redes sociais. Empoderamento feminino não é brincadeira! Muito menos de tiro. 

 

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Cil
Falou a deputarda que deve andar com segurança 24/7. Mais uma comunista para defender agressor de mulher. O estado deveria prover curso de tiro para a mulher em situação de risco uai! Vai depender de "medida protetiva" somente? A polícia não vai guardar a mulher 24/7. A mulher terá 100% de chance de morrer se não estiver armada. Melhor ter a chance de se defender.
Carlos Neanes Santos
Reportagem muito interessante sobre o armamento das mulheres mas eu acredito que somente com leis mais severas é que poderemos mudar o feminicidio no Brasil. Essa lei Maria da Penha por exemplo... Eu pergunto qual a vantagem dessa lei que muitos juízes, delegados, promotores defendem!!! Nenhuma..aliás só enxergo uma....a de qualquer pessoa poder denunciar e não parar o processo. Só.....nao existe nenhuma outra vantagem...apos essa lei diminuiu o número de mortes...NAO.porquê? Porque essa lei não serve pra nada. Temos que ter leis mais severas que puna realmente com rapidez o infrator e proteja mais as mulheres.