Politica & Mulher
Alerta: esclerose múltipla é mais comum em mulheres entre 15 e 50 anos

Rafaela Cardoso alerta para mais uma doença que afeta o público feminino

Uma das características da esclerose múltipla, uma doença autoimune, é acometer pessoas entre os 15 e 50 anos. Principalmente mulheres nessa faixa etária. Trata-se da doença mais comum do sistema nervoso central em todo o mundo acometendo, de acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, 2,3 milhões de pessoas em todo o mundo.

“Essa é uma doença inflamatória e autoimune e a característica dela é acometer, principalmente, mulheres entre 15 e 50 anos de idade. As doenças autoimunes têm uma produção desordenada dos anticorpos, que é aquilo que a gente produz para combater vírus e bactérias. Só que em vez da gente produzir para combater esses microrganismos, a gente produz contra algumas estruturas do nosso corpo”, explica a neurologista do Núcleo de Atenção Integral à Saúde – Nais –, cooperada Unimed Sergipe, Rafaela Cardoso.

“A esclerose acomete a região do neurônio que a gente chama de mielina, que é uma pequena região muito importante para a transmissão dos impulsos nervosos. Dependendo da região afetada, a pessoa vai ter várias manifestações neurológicas que incluem a perda de força de um lado do corpo, formigamento, alteração de sensibilidade, desequilíbrio e alteração da visão sendo os sintomas mais comuns”, completa.

Segundo ela, ao apresentar os sintomas, é necessário que o paciente consulte um neurologista o mais rápido possível para que, com o auxílio dos exames, a esclerose seja descartada ou confirmada, podendo dar início ao tratamento imediatamente. “Este é um quadro que começa devagar e que vai progredindo ao longo dos dias. Tem que procurar o atendimento neurológico quando passar 24 horas desde que os sintomas apareceram e estes continuam se apresentando de forma contínua”, alerta Rafaela.

Para se ter um diagnóstico da esclerose múltipla, são necessários exames solicitados pelo neurologista. “Além do exame físico, que é feito pelo neurologista, a gente não abre mão da ressonância. Dependendo do que o paciente apresente naquele momento, a gente faz na cabeça, na coluna, na região da medula para ver se tem algum acometimento. Outro exame que nos auxilia no diagnóstico é o do líquor, em que é feita uma furadinha nas costas para tirar o líquido cefalorraquidiano da espinha para a gente analisar se tem aquela inflamação”, explica a neuro.

A doença não tem cura e seu tratamento precisa se estender ao longo da vida do paciente. Existem diversos tipos de medicamentos para tratar a esclerose, desde injetáveis, orais e endovenosos. “O tratamento é direcionado à questão inflamatória. Precisamos regular essa inflamação que está acontecendo a nível microscópico e a questão do medicamento é a partir do que é avaliado na consulta e do que mostram os exames”, esclarece a médica.

Além do tratamento com um neurologista, é importante que o paciente com esclerose múltipla receba um acompanhamento multidisciplinar, envolvendo profissionais como psicólogo e fisioterapeuta.

“Além do AVC, que é a doença mais incapacitante do ponto de vista neurológico, a esclerose desperta muito interesse porque é uma doença incapacitante que atinge jovens, naquele momento em que eles deveriam ser mais produtivos. Por isso que a gente precisa estar sempre de olho nesses diagnósticos porque, muitas vezes, acontece da incapacidade ser aumentada pelo atraso em diagnosticá-la. É muito importante estar atento aos sinais: quanto mais rápido o diagnóstico, mais a gente consegue prevenir essas incapacidades”, complementa.

 

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