Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Arthur do Val, o machismo e a guerra dentro da guerra que fere as mulheres
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Arthur do Val: um ser humano que ilustra bem a guerra cruel do machismo contra as mulheres

Chocou o mundo a fala do deputado estadual de São Paulo Arthur do Val, Podemos, sobre a situação das mulheres ucranianas, que vivem uma guerra em seu país.

Em estranha visita ao país que Vladmir Putin quer reduzir a pó, o parlamentar, enviou insolente áudio aos amigos no Brasil afirmando que as mulheres dali são presas fáceis porque são pobres. Presas sexuais, entenda-se bem.

“Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’. É inacreditável a facilidade. Essas ‘minas’ em São Paulo você dá bom dia e ela ia cuspir na sua cara e aqui são super simpáticas”, disse ele no áudio que viralizou, para desgosto e decepção geral do bom senso.

A fala de Arthur do Val, embora surpreendente, não é bem uma novidade na tradição brasileira. Não é de hoje que homens se aproveitam da vulnerabilidade de mulheres. Não é de hoje que homens exploram mulheres. Não é de hoje que homens matam mulheres - tanto quanto mata-se numa guerra.
Aliás, não é de hoje que o machismo vive numa guerra declarada contra as mulheres. E a fala desse deputado ilustra muito bem como são frequentes e cruéis cada batalha dessa guerra, que segue deixando mulheres feridas ou mortas.
A fala de Arthur do Val antecedeu essa semana do 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, data que marca a luta feminina por igualdade e direitos.

E que, neste ano, ganha mais um sentido: o de lutar contra essa guerra dentro da própria guerra que, na Ucrânia bota quase dois milhões de pessoas em diáspora pelo mundo. É inadmissível ver alguém, ainda mais um chamado homem público, com um olhar libidinoso numa hora dessas.
Em tempo: na última segunda-feira, 7 de março, o Podemos, partido do deputado Arthur do Val, recebeu o pedido de expulsão dele e deu abertura ao processo disciplinar interno.

Encaminhada à presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu, SP, a petição foi remetida ao diretório estadual de São Paulo, Estado do novo filiado, que havia ingressado na legenda há pouco mais de 30 dias e nutria a intenção de disputar Governo daquele Estado.
“A realização do procedimento é necessária para qualquer tipo de punição, em respeito à ampla defesa e ao contraditório. Assinado pelas presidentes do Podemos Mulher Nacional e estadual de São Paulo, respectivamente, Márcia Pinheiro e Alessandra Algarin, o pedido é pela punição mais grave: a de expulsão”, diz a nota do partido.

Esta Coluna Política & Mulher acrescenta: que o tal do Val seja expulso do partido, banido da política e que outros tantos como ele não sejam esquecidos quando a eleição chegar. Portanto, fora Arthur do Val, e fora todos os machistas da espécie dele!

 

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