Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Comer também é um ato político!
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Luiza Allan: a tendência é que o veganismo ganhe cada vez mais adeptos 

Nos últimos anos, movimentos como o vegetarianismo e o veganismo vêm ganhando cada vez mais adeptos. Com pautas atuais e que vão além do mero consumo de alimentos, eles provam o quanto, mais do que nunca, comer é um ato simbólico, representativo e – porque não – político.

Vegetariana desde janeiro de 2017 e vegana desde agosto do mesmo ano, a bacharel em Direito Luiza Allan Aragão, de 24 anos, é uma dessas pessoas que tratam o alimento como parte de um sistema, que, muitas vezes, precisa ser mais do que apreciado: precisa ser combatido.

“Comecei a procurar saber sobre os impactos da indústria da carne, os impactos no meio ambiente, na sociedade, no planeta em si, e pensei que uma forma de mudar isso seria com mudanças internas, que implicariam no não consumo dessas formas de exploração ambiental, social e animal”, afirma Luiza.

Para ajudar a difundir a ideia, Luiza criou o “Não Como Só Alface”, uma rede social onde ela reúne mais de 38 mil seguidores. Inicialmente, o objetivo era o de indicar restaurantes veganos, mas, assim como a rede social, os planos também cresceram.

“Hoje eu produzo muito mais receitas do que dou dicas de lugares. Deixou de ser local e ganhou grande público, até internacional. O “Não Como Só Alface” veio para desmitificar que o veganismo é elitista”, explica Luiza. Isso porque, embora ela reconheça que os alimentos industriais veganos ainda sejam caros, a comida que defende, não.

“É aquela comida feita em casa, descobrindo a versatilidade dos vegetais, criando com muita coisa que já tem em casa, apenas usando de forma diferente. Isso gera uma consciência maior do que se come e custa bem menos”, ressalta. Para Luiza, a ideia é mostrar que ir para a cozinha preparar seu próprio alimento pode – e deve – ser prazeroso, além de necessário para o dia a dia.

“Saber o que está comendo gera autonomia alimentar, resgata nossa cultura gastronômica, valoriza o que é nosso. Também nos faz conhecer novos sabores, sempre respeitando o meio ambiente, os animais”, reforça. Esse respeito, aliás, é uma emergência, segundo Luiza.

“A cada ano, a gente vai esgotando os recursos animais mais cedo, então vai ficar insustentável consumir como a gente consome, de forma desenfreada e sem se preocupar com as próximas gerações ou a nossa própria”, justifica. De acordo com ela, isso vai além da esfera animal.
“Nesse sistema capitalista, vai ficar insustentável continuar consumindo qualquer coisa dessa forma. Será um colapso muito grande. Por isso, o veganismo tende a ter mais adeptos, porque cada vez mais pessoas têm esse despertar”, comemora.

Por tudo isso é que Luiza concorda com o fato de que comer sempre foi um ato político. “Onde a gente está colocando o dinheiro,  quem a gente financia: se são grandes nomes do agronegócio e da pecuária ou a moça do bairro que vende uma boa comida; o McDonalds ou uma marmitaria próxima. O que a gente compra, o que a consome, o que a gente deixa de consumir.. tudo isso é político”, reitera.

E se torna ainda mais político defender essa alimentação mais consciente e menos automática quando se leva em consideração que o atual Governo do Brasil, que Luiza chama de “desgoverno”.  “Não leva em conta a saúde, a educação, os direitos básicos, já que ainda tem gente que morre de fome no Brasil. Tudo isso está ligado ao consumo, às nossas escolhas, inclusive eleitorais, porque a bancada ruralista está aí, com seu poder de grandes decisões. Além de um presidente de extrema direita que visa o lucro, não se importa com o meio ambiente”, opina.

 

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