Politica & Mulher
Damares Alves é usada como “um instrumento para desqualificar o feminino”

Valdilene: cair de pau em cima dela é cair de pau em cima de nós mesmas

É assim que a advogada Valdilene Oliveira, vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB/SE, vê a convocação de Damares Alves para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. A visão dela é a de que a escolha do presidente Jair Bolsonaro, PSL, foi extremamente estratégica e objetiva. Ou seja, uma jogada de mestre a fim de achincalhar a figura feminina.

“A escolha da ministra serve para ridicularizar a mulher, para dizer que é louca, sem noção e, assim, reforçar aquele dilema de que a mulher ou é louca ou é puta”, diz Valdilene Oliveira. Isso porque, para a advogada, a postura de Damares é tão absurda que faz com que até a mais atuante das feministas a critique.

“Nós mesmas estamos apontando o dedo para ela. A figura dela veio para isso. Para, estrategicamente, deslegitimar e adjetivar pejorativamente o feminino”, alerta. Para Valdilene, a motivação de colocar Damares no poder é para poder dizer: “olha o que acontece quando mulher ocupa o poder”.

“Com as coisas absurdas que estão acontecendo, as pessoas entram na discussão e nem estão percebendo. Ela está sendo usada como um instrumento para desqualificar o feminino. E agora o estrago já foi feito. Mas é preciso lembrar: cair de pau em cima dela é cair e pau em cima de nós mesmas”, adverte.

Por isso, para Valdilene, é tão importante que “mulher vote em mulher” e, assim, os quadros femininos na política sejam ampliados. “Se não tivermos representatividade, as pautas não serão postas e muito menos efetivadas. Mulheres, negros, crianças, idosos e pessoas com deficiência precisam de pautas específicas, e sem representatividade elas não andam”, reforça.