Politica & Mulher
Única secretária do Estado, Lêda Couto tem noção da responsabilidade à frente da Seit

Lêda: feminismo é postura política

Há menos de um mês no posto de secretária de Estado da Inclusão, da Assistência Social e do Trabalho - Seit -, Lêda Lúcia Couto de Vasconcelos tem uma grande responsabilidade pela frente. Médica formada pela UFS, ela também tem residência em Medicina Preventiva e Social pela UFMG, é especialista em gestão hospitalar, em Direito Sanitário e em Medicina do Trabalho, além de ser doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp.
 
Todos esses títulos alçaram Lêda a ocupar o posto, mas a sua militância, certamente, também foi primordial. Ela sabe que a mulher precisa ter voz. “Somos mais da metade da população e estamos longe demais de ter expressividade numérica nas instâncias de decisão. A maioria deles é ocupada por homens, que detém o privilégio das decisões”, ressalta Lêda Couto. “Nós precisamos ocupar nosso espaço legítimo de fala. Falar de nós por nós mesmas”, destaca.
 
Isso, segundo Lêda, em todas as esferas: “na política, na arte, no conhecimento, nas políticas sociais”. Porque, para ela, “uma das maiores injustiças do patriarcado é dificultar que mulheres ocupem algum espaço de expressão na sociedade”. Sendo assim, cada espaço desses é conquistado com dificuldade e luta. “É desse lugar de fala e de possibilitar escuta para grupos com dificuldade de vocalização que me vejo no secretariado estadual”, afirma.
 
Desse lugar, Lêda tem plena convicção de que as mulheres pagam caro pelo fato de ser mulher e, mais ainda, pelo fato de ser mulher no campo profissional. “Temos que mostrar que somos melhores, temos que nos esforçar mais para sermos reconhecidas, para não sermos interrompidas em nossas falas, para que não venham explicar sobre o que estamos fazendo”, justifica. Mas ela já acumula experiência nesse mundo de gestão. “Estou acostumada a esse processo de desbravamento de espaços”, assegura.
 
De fato, está. Lêda foi a primeira médica do trabalho de Minas; a primeira presidente do Conselho de Secretários Municipais, também em Minas; secretária de Saúde de Ipatinga, no mesmo Estado, e também secretária em Aracaju. “Sempre trabalhei coordenando equipes, coordenando projetos - nas esferas estadual, municipal e federal. Acredito que os desafios existem para serem enfrentados com coragem e competência. E nem um nem outro me faltam”, garante.
 
Ela não tem o fato de ser a única mulher no secretariado estadual como prestígio ou mesmo desprestigio. E sim com o resultado de uma sociedade machista-patriarcal. “E eu me coloco no mundo como uma mulher feminista que acredita que a luta por direitos iguais é uma luta por um mundo mais justo. Então, o feminismo é uma postura política que ajuda a melhorar o modo como vemos o outro: se a gente quer verdadeiramente ser livre, a gente também quer que o outro seja livre - de preconceitos, da violência e da misoginia”, analisa.
 
Lêda diz que a principal questão que a pasta pretende trabalhar é como fomentar políticas sociais de inclusão em um momento de tão grave restrição econômica. Por isso, a aposta é trabalhar de forma articulada, intersetorial e privilegiando o cuidado integral para com os grupos vulneráveis das populações, para atingir resultados que possibilitem a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas.
 
“E é claro que as mulheres, ainda mais as que acumulam a opressão da raça, como as negras, ou as que se encontram em situação de vulnerabilidade social, que estão submetidas à violência nas suas mais diversas formas, terão ações específicas para que possamos ajudá-las a superar essas situações”, diz Lêda, mostrando que, embora seja única, vai gerir em nome de todas.