Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Feminismo como negócio: mulheres buscam gerar empatia e empoderamento através de suas marcas
Compartilhar

Lucelia Brito com uma das t-shirts da Female Boss: “Ela não desiste”

“Girl power”; “the future is female” e “fight like a girl” são algumas das frases estampadas nas camisetas da Female Boss, uma marca que representa bem o movimento econômico que vem se desdobrando a partir do empoderamento feminino. São negócios criados por e para mulheres a fim de materializar a independência feminina e “vendê-la”, através de produtos e ou serviços.

Foi o que aconteceu com Lucelia Lima Brito Rodrigues, criadora da marca de T-shirt Female Boss. Estudante de Direito, ela é coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social – Cras – do município baiano de Itapicuru e já foi secretária-adjunta de Assistência Social e coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, em Tobias Barreto.

A Female Boss, segundo Lucelia, surgiu da necessidade de dar continuidade a esse trabalho de empoderamento que já desenvolvia. “Pensamos nas T-shirts como um meio para isso, uma peça que não possui definição de gênero, que veste todos os tamanhos e que pode carregar estampas contendo frases feministas”, afirma.

Segundo Lucelia, as frases são utilizadas como forma de representatividade e ajudam a desconstruir padrões impostos pela sociedade – um dos objetivos da marca. “Nosso maior propósito é o empoderamento feminino e, através dele, favorecermos o coletivo. A Female Boss acredita que podemos nos vestir de dentro pra fora, expressando as bandeiras que abraçamos, compartilhando nossos sonhos, espalhando mensagens de união”, ressalta Lucelia.

Segundo ela, a “venda” do empoderamento é uma consequência. “Nosso maior intuito mesmo é que essa mulher possa se sentir bem com ela mesma e que mantenha um diálogo com outras pessoas e, mesmo que um dia a T-shirt não a sirva mais, ela seja passada adiante com uma mensagem a ser dita”, reitera.

Seguindo o mesmo propósito, as jovens Marina Conde, Louise Lóz e Ester Criscuolo criaram a Quero Abusar, uma marca de lingeries ousadas que, além de vestir, também defende a liberdade do corpo feminino. “O propósito da Quero Abusar é a busca por transformação. Temos, cada vez mais, descoberto que os objetivos e jornadas de liberdade fazem parte de processos muito diferentes, de pessoa para pessoa, de grupo para grupo, de mulher para mulher. O nosso propósito é continuar nos transformando constantemente, através de um olhar mais amoroso sobre nós mesmas”, afirma Louise.

Marina, Ester e Louise: um trio que busca impactar positivamente a sociedade

Em meio a essa transformação, as sócias começaram a desenvolver algo que nunca pode ser finalizado: “o nosso processo, junto com elas, de construção e desconstrução do ser mulher e da tomada de consciência”, resume Marina. Gerir a marca – e todos esses processos – tem sido um desafio para elas.

“Trabalhamos todos os dias buscando entender um pouco mais sobre liberdade e o que isso significa para cada mulher, assim como sobre a responsabilidade que a inclusão e representatividade têm nesse processo. É uma jornada infinita de mudanças a serem feitas, interna e externamente, além de um aprendizado constante. Sem nunca esquecer da importância da escuta ativa. E tudo isso, torna a experiência transformadora”, admite Ester.

As meninas acreditam que o empoderamento feminino não é um produto que possa ser mensurado e vendido, já que compreende uma jornada de construção diária – que nem sempre é romântica. Mas reconhecem que a experiência com a lingerie da marca pode ser uma forma de se perceber sob um novo olhar. “E, muitas vezes, despertar uma perspectiva empoderada de nós mesmas”, admite Louise Lóz.

O fato é que, embora não venham num potinho com fórmula mágica de consumo e efeito, os produtos com essa proposta de empoderamento ajudam a preencher uma lacuna – não apenas mercadológica – de autoconhecimento e sua consequente elevação da autoestima, ajudando as mulheres a se reconhecerem e se gostarem em seus próprios corpos e linguagens.

“Por ser uma mulher ativista eu preciso apresentar o feminismo ao máximo possível de mulheres. Muitas mulheres possuem uma ideia equivocada do movimento, então quanto mais tivermos ferramentas que o torne de fato acessível a todos, sem padrão a ser seguido, sem que haja divisão, conseguiremos mostrar o quanto ele é necessário e nos faz bem”, reforça Lucelia.

As sócias da Quero Abusar têm o mesmo objetivo. “Muito além do trabalho árduo e honesto, buscamos compreender como podemos impactar positivamente a sociedade, junto com tantas outras mulheres, através de um olhar mais amoroso de nós mesmas e de uma rede de apoio para ocupar espaços e respeito”, afirma Marina. No fundo, esses negócios são uma combinação do que elas amam fazer com o que acreditam que o mundo precisa: uma perspectiva mais amorosa acerca do feminino.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.