Politica & Mulher
Sergipana quebra jejum de prêmio feminino em Cannes

Catharina: mulheres precisam transitar por áreas ainda exclusivamente masculinas

A publicitária sergipana Catharina Bastos Rodrigues de Mendonça foi a primeira redatora mulher, em pelo menos 28 anos, a ganhar o maior prêmio da propaganda mundial: o Grand Pix, em Cannes, na França.

Formada em Comunicação Social em Publicidade e Propaganda pela Universidade Tiradentes - Unit -, ela foi vencedora no Festival de Cannes, que divide os prêmios em categorias e níveis. 

“A categoria que nós ganhamos se chama Entretenimento para Música e o troféu é um Grand Prix, o mais alto nível que uma campanha pode chegar na categoria, acima até do Ouro”, comemora Catharina. 

Segundo ela, quem é da área e trabalha com criação publicitária, tem Cannes como a maior meta. “Todo profissional quer ter o seu trabalho reconhecido internacionalmente, mas chegar nessa altura na minha primeira vez competindo foi um grande susto. Acho que ainda vou passar alguns dias chorando de alegria pelo feito”, admite. 

O prêmio foi resultado de uma campanha chamada Parada no Feed, para o Mercado Livre. Como em 2020 não dava para ter a Parada LGBTQIA+ por causa da pandemia, a equipe vencedora transformou um perfil de Instagram na Avenida Paulista, com mais de duzentas fotos, além de conteúdos sobre a comunidade e vídeos gravados por nomes relevantes para a causa. 

“Todas as pessoas que comentaram nas fotos, foram parar em um clipe da cantora Gloria Groove. A Avenida Paulista foi preenchida com nomes reais e ficou lotada de cor, celebração e resistência”, descreve a profissional. 

Segundo Catharina, o Grand Prix, que é o prêmio máximo, nunca foi conquistado por uma mulher redatora no Brasil. A primeira vez que o Brasil ganhou foi em 1993 e, desde então, só mulheres em cargos de liderança tinham conseguido esse feito, o que amplia o significado do prêmio para Catharina.

“Isso é algo que significa muito para mim, porque nós, mulheres, precisamos muito desses marcos para poder "furar a bolha" e transitar por áreas que até então eram exclusivamente masculinas”, argumenta. A vitória de Catharina, portanto, é uma vitória dupla: dela e de todas as mulheres.

 

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