Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Goretti Reis desiste da reeleição, mas não da política: “Volto quando o chão tiver firme”
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Goretti: “parar também faz parte da trajetória de quem caminha”

A deputada estadual Goretti Reis, PSD, anunciou, nesta terça-feira, 3, que não será candidata nas eleições deste ano. Ela já havia confirmado o desejo de se reeleger e manter o posto de uma das veteranas nas cadeiras da Assembleia Legislativa de Sergipe – Alese. Mas, aparentemente, mudou os planos.

O comunicado foi feito pelas redes sociais, onde a deputada definiu a vida como uma travessia que exige muita coragem. “Estarei me ausentando do chão da política, retirando meu nome da disputa. Não é covardia, nem medo algum. Parar também faz parte da trajetória de quem caminha”, disse Goretti.

Ela pediu que sua decisão não fosse julgada e deixou claro que não aceitaria críticas de quem não tem a política como algo justo e que visa o bem de todos. “Devo satisfação aos sergipanos e, em especial, aos 12 mil eleitores fieis que sempre tive em Lagarto”, ressaltou.

Segundo ela, nesse processo, aprendeu com o pai, Arthur Reis, que o maior patrimônio que se pode ter é o nome, que deve ser honrado para não ser perdido. E ela não perdeu: entrou na política em 2002, quando concorreu e teve mais de 12 mil votos, mas não foi considerada eleita por causa da legenda.

Em 2006, teve novamente mais de 12 mil votos, ficando na suplência. Em 2010, foi eleita de fato pela primeira vez, com mais de 13 mil votos e, desde então, faz política com P maiúsculo, tendo se tornado uma grande referência feminina na política, atuante e comprometida com a causa feminina.

Nesses anos de mandato, Goretti , é autora de muitos projetos de lei, leis e indicações dedicadas à pauta feminina, como a legislação que institui a Campanha “Outubro Rosa” em Sergipe e objetiva a redução do câncer de mama e de útero;

A lei Nº 8.375, de 2017, institui no Calendário de Eventos de Sergipe a data 29 de julho como o Dia de Combate ao Feminicídio; já a lei Nº 8.547, de 2019, institui a data de 31 de maio como o Dia do Policial Militar, Bombeiro Militar Feminino e do Policial Civil Feminino de Sergipe.

Em 2020, apresentou o projeto que virou a Lei Nº 8.777, instituindo a Política Pública de Recuperação e Reeducação de Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, além da lei Nº 8.704, que dispõe sobre medidas de combate e prevenção à violência doméstica e familiar contra a mulher.

Goretti Reis implantou, em 2015, a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres e criou, através da Resolução Nº 05/2018, a Procuradoria Especial da Mulher da Alese, da qual é presidente. Também tem cobrado a aprovação dos Projetos de Lei Nº 21, que institui a Patrulha Maria da Penha em Sergipe, e o de Nº 47/2019, que trata da destinação de 3% das vagas de empregos nas empresas contratadas pelos poderes públicos para vítimas de violência doméstica.

Também foi ela que fez a Indicação de número 142/2016, solicitando ao então governador Jackson Barreto a implantação de uma casa de apoio, uma espécie de abrigo para vítimas de violência doméstica, e a de Nº 349/2020, que trata das providências para a doação de terreno com o objetivo de construir a Casa da Mulher Brasileira em Sergipe.

Goretti não deixou claro o motivo de sua desistência, nem fechou as portas por completo. “Não estou desistindo da vida política, mas recuando para quando o chão de verdade estiver firme, voltar a pisar nele. Assim, estarei ajudando minha família no fortalecimento desse solo”.

 

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