Politica & Mulher
De Manuela para Joice: um recado de empatia

Manuela D’avila e sua empatia por Joice Hasselmann 

“Oi, Joice. Como vai? Espero que sinta um pouco melhor e mais forte no dia de hoje. Nunca estivemos juntas, mas recentemente participamos, através do telefone, da gravação do podcast do “agora que são elas”. Rimos um bocado em nosso debate. Naquela ocasião, você ainda era líder do governo e divergia de mim com relação a existência do machismo no Congresso Nacional”. 

Foi assim que Manuela D’avila, ex-deputada federal e ex-candidata a vice-presidente do Brasil, iniciou uma carta dirigida à deputada estadual Joice Hasselmann, ex-líder do PSL na Câmara e, portanto, adversária de Manuela, que é filiada ao PCdoB. 

Na carta, Manuela diz que escreve para ser solidária com tudo o que Joice tem passado. “Não é fácil. Não é mesmo nada fácil ser mulher e cair nas mãos da milícia virtual que governa o Brasil. Não é fácil ver como eles envolvem aos nossos filhos para buscar nos destruir emocionalmente. Eles buscam nos liquidar, Joice, nos levar às lágrimas. Como te levaram na tribuna ontem, como me levam quase todos os dias há longos quatro anos”.

Ela continua: “eles fazem isso, Joice, pra depois nos chamarem de fracas. Eles querem provar que não somos capazes de desempenhar aquilo que nos propomos. Eu entendo bem o que você está sentindo. No ano de 2015, Joice, enquanto você estava nos caminhões de som da Avenida Paulista, ao lado daqueles meninos que divulgavam imagens terríveis da presidente Dilma, eu estava grávida e vivia o momento mais feliz da minha vida. Aí eles, aqueles meninos, inventaram que eu fiz uma viagem - com dinheiro público - para Miami para comprar um enxoval para Laura. Eu não conheço Miami, Joice. Nem sequer fiz enxoval. Jamais viajaria com dinheiro público”.

“Pouco tempo depois, Joice, em outubro, Laura tinha 45 dias e tomou um tapa durante um show de meu marido. Ela tinha 45 dias e uma mulher bateu nela!!!! Sabe por que? Porque acreditou que o pano que a enrolava havia sido comprado em Miami. Essa é uma parte das histórias que marcam minha maternidade”, continua Manuela, acrescentando que essa exposição da família, principalmente dos filhos, não acontece só com elas.

“Maria do Rosário viu sua filha exposta. Jean Wyllys saiu do Brasil. Marielle Franco tem sua memória destruída todos os dias. Não é por nada que dedico parte de minha vida ao combate de fake news e a contar essas histórias. Para que as pessoas tenham ideia do que passamos. Joice, eu sou sinceramente solidária a você porque sei o que você está vivendo. Mas queremos e precisamos que você fale. Sobre você, claro. Sobre sua dor. (...) Precisamos que você faça isso para que nenhuma outra pessoa passe pelo que estamos passando, para que mais nenhuma filha ou filho sofra em meio a esse jogo sujo”.

Apesar de todas as falas e atos de Joice contrários ao movimento feminista e de luta por mais espaço feminino na política, todas as mulheres empáticas assinam essa carta junto à Manuela D’avila.