Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

Jornalista desde 2010, com formação pela Unit e atuação em veículos impressos e em assessorias de comunicação em Sergipe. É repórter Especial do JLPolítica desde 2017.

Linda Brasil e o sopro de esperança de 2020
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Linda Brasil: representatividade, diálogo e revolução

A eleição, com o maior número de votos, da vereadora Linda Brasil, PSOL, por si só, já seria surpreendente. Considerando que ela é uma mulher trans, surpreende mais ainda. Isso porque vai de encontro ao que a política vem elegendo desde sempre como prioridade: homens brancos, de direita e/ou de famílias tradicionais – o que talvez resuma os dois primeiros itens. 

Nem a própria Linda esperava conseguir a façanha de ser a mais votada entre os vereadores. “Eu sentia que poderia ser eleita, até pelo histórico de 2016 e 2018. Estava confiante, mas ser a mais votada eu não cogitei, nem de longe”, diz Linda. Para ela, isso tornou a emoção de ser eleita ainda maior. “A vitória é mais simbólica”, admite. 

E essa simbologia, claro, passa pelo fato de ser ela uma mulher trans. “É um sopro de esperança na política, principalmente a sergipana, sempre dominada pelas mesmas oligarquias, que não dão voz às pessoas de movimentos que represento, como o feminismo, o LGBTQI+ etc”, avalia Linda.

Segundo ela, todos esses “poréns” podem ser um estímulo para outras pessoas também ingressarem na política. “Dá uma inspiração, motiva outras pessoas a entrarem na política e também aos outros candidatos, que mesmo sendo de direita, podem ter ideias mais progressistas e não necessariamente reproduzam essa estrutura política que domina”, argumenta.

Linda reforça que a eleição dela não é pessoal, é coletiva. Foi construída de forma participativa desde o início, com discussões com a sociedade e com os movimentos. E isso se refletirá em seu mandato. “Criaremos políticas públicas que de fato favoreçam; que sejam comprometidas com as práticas políticas de Marielle, com o povo da periferia, com os direitos humanos, a população negra”, garante.

Para Linda, a eleição dela é mais um exemplo de que a esquerda vem buscando – e conseguindo – uma retomada de espaços de poder. “É o início de uma nova forma de fazer política, pela qual não se chegue lá fazendo conchavos. Eu mesma recebi convites de outros partidos, depois de 2026 e de 2018, prometendo facilidades. Mas eu não quis, porque eu queria ser eleita com meus ideais. Eu tenho a ideia de fazer uma revolução, provocar transformação”, afirma. Já provocou, Linda. Já provocou.

 

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