Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Luciana Nunes, nova secretária de Mulheres do PSOL, quer expandir formação política feminista no partido
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Luciana: “Denunciaremos a violência doméstica e política”

O PSOL acaba de realizar o V Congresso Municipal de Aracaju, resultado de um processo interno para a escolha dos dirigentes de suas nove cadeiras, entre elas a da Secretaria de Mulheres, para a qual foi escolhida Luciana Nunes Oliveira. Formada em Direito e pós-graduada em Direito de Família e sucessões, Luana é servidora no Tribunal de Justiça de Sergipe – TJ\SE – e atualmente está lotada no Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Excepcionalmente e para garantir o distanciamento e a segurança sanitária, o congresso ocorreu de forma mista, com a combinação de etapas virtuais e votação presencial. Nas plenárias, as correntes tiveram a oportunidade de apresentar suas teses e contribuições e de fazer o bom debate junto aos/às filiados/as, abordando a conjuntura política, propostas de organização partidária e o processo eleitoral de 2022.

Além da consolidação do PSOL enquanto alternativa de esquerda anticapitalista, antirracista, antimachista e antiLGBTfóbica para a população aracajuana. A última etapa ocorreu no dia 4 de setembro, quando foram aprovadas importantes resoluções que funcionarão como norte na condução da gestão que se inicia. 

Ao fim, para Luciana Nunes, a sensação foi de que o resultado congressual refletiu a construção democrática que vem pautando a caminhada do partido em Aracaju e que, segundo ela, culminou com a composição do atual diretório municipal, sendo a expressão dos diferentes pensamentos e forças que existem dentro do partido.

“Como dirigente partidária, a Secretaria de Mulheres do PSOL Aracaju será minha primeira experiência. Mas meu engajamento político teve início no movimento sindical. Como servidora do TJ\SE, tive a oportunidade de participar da luta realizada pelos trabalhadores do judiciário sergipano por melhorias nas condições laborais e, nesse processo, o Sindijus foi um espaço importante de formação e aprendizado”, afirma Luciana.

Para Luciana, partido político é o mais amplo instrumento de luta do povo oprimido

Dessa forma, para a secretária, a organização partidária foi uma consequência da compreensão de que o partido político é um importante e mais amplo instrumento de luta da classe trabalhadora e do povo oprimido no sentido disputar um projeto de sociedade que represente a maioria da população. “Sem povo organizado e sem luta não alcançaremos as mudanças necessárias para construção de uma sociedade justa e igualitária”, resume Luciana.

Ela vê a tarefa de tocar os trabalhos junto à Secretaria de Mulheres do PSOL como algo desafiador, mas também como uma oportunidade de, com as demais companheiras do partido, colaborar na promoção do debate da pauta feminista e na construção de ações voltadas para as mulheres. E pretende atuar para fomentar a participação feminina na política. “Há um reconhecimento social de que o PSOL é uma referência na luta feminista. Isso se deve à nossa atuação no sentido de estimular o protagonismo de mulheres e do feminismo para dentro e fora do partido”, garante.

Dessa forma, internamente, o partido pauta a necessidade da paridade de gênero na composição do diretório municipal de Aracaju e do incentivo às mulheres para assumirem tarefas de figuras públicas do partido no período eleitoral e para além dele. “Com esse propósito, e entendendo que nós, mulheres, somos historicamente excluídas da política, que nossas duplas e triplas jornadas de trabalho impactam sobre o tempo disponível para nossa militância, a Secretaria atuará para fortalecer e ampliar essa participação”, assegura.

Para isso, de acordo com Luciana, as reuniões e ações devem proporcionar um cenário em que mães e trabalhadoras sintam-se acolhidas e possam contribuir na construção de um programa feminista para a organização. “Também estaremos empenhadas em expandir a formação política feminista no partido, tanto no sentido de promover espaços internos de debate, para avançarmos no nosso projeto político, quanto também para incentivar que outras mulheres possam vir somar conosco”, ressalta. 

Para fora do partido, Luciana diz que, como já vem ocorrendo, a atuação será combinada com a luta que vem sendo realizada pelas frentes e articulações feministas locais, a nacional e as dos Estados, no intuito de dar visibilidade ao debate político da pauta. “E denunciaremos, incansavelmente, a violência cometida contra as mulheres, seja no âmbito doméstico, onde é preciso fomentar uma política de apoio eficaz; seja no exercício da atividade política, pois é inadmissível que mulheres democraticamente eleitas sejam impedidas do exercício pleno dos seus mandatos pelas graves tentativas de silenciamento que vêm sofrendo”, argumenta. 

 

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