Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Lugar de mulher é onde ela quiser. Inclusive na Ciência!
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Suzana: “Quantas vezes ouvi dizer que se era bonita não podia ser inteligente”

Doutora em Física pela USP e pós-doutora na área de Engenharia Nuclear pela Università di Pisa, na Itália, Suzana de Souza Lalic é um excelente exemplo da atuação feminina na Ciência e que deve ser reverenciada não apenas nesse 11 de fevereiro – Dia das Mulheres na Ciência –, mas sempre.

Atualmente, ela é bolsista em Produtividade em Pesquisa nível 1C do CNPq e professora associada da Universidade Federal de Sergipe, além de membro docente do Doutorado de Pesquisa em Engenharia Industrial da Università di Pisa e integrante do Conselho Diretor do Curso de Mestrado em Proteção contra Eventos Químicos, Biológicos, Radiológicos, Nucleares e Explosivos - CBRNe - da Universidade Tor Vergata de Roma.

Também é membro da Organização Internacional de Dosimetria de Estado Sólido - ISSDO - [5]. Foi membro da Comissão de Área de Física Médica da Sociedade Brasileira de Física (SBF) entre 2014 e 2019 e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Física da UFS entre 2017-2019. Tem experiência nas áreas de Física, com ênfase em Física Médica. Atua principalmente nos seguintes temas: detectores de radiação, caracterização de materiais e metrologia das radiações ionizantes.

É pesquisadora dos efeitos das radiações, incluindo luz UV, desde 1993, sendo o tema de sua Tese de doutorado o “Efeito da radiação UV e gama nas propriedades de absorção óptica, de ressonância paramagnética eletrônica e de termoluminescência na kunzita”. Atualmente tem desenvolvido diversos projetos de combate à Covid-19 utilizando luz UVC [6-16].

Suzana está no grupo de milhares de mulheres, no Brasil e no mundo, que se dedicam à Ciência e têm sido, mais do que nunca, fundamentais para a obtenção de grandes descobertas, rincipalmente nesse momento de pandemia. Para se ter ideia, mais de 70% dos cientistas do Instituto Butantan são mulheres. Índices que Suzana comemora. E com razão.

“Por muito tempo, as mulheres foram marginalizadas na Ciência. Isso tem mudado, mas ainda estamos longe do ideal, principalmente nas ciências exatas, em que atuo. O Butantan é uma instituição respeitadíssima e fico feliz que a porcentagem feminina ali seja tão alta. Ela demonstra, com o sucesso da instituição, o quanto as mulheres podem contribuir com a área”, afirma Suzana.

Apesar disso, ela não sabe responder se em Sergipe esse índice se repete. Mas acredita que não. “Apesar de termos muitas mulheres atuando na Ciência em Sergipe, eu não sei os números exatos. E isso, como disse, também depende muito da área de atuação. Nas ciências mais duras, como Física, Química, Matemática ... sempre temos um número muito reduzido de mulheres. Nas áreas biológicas e humanas, esse número deve subir. Precisamos favorecer a entrada de mais meninas em ciências exatas”, ressalta a pesquisadora.

Para ela, o problema vem da infância. “Quando ensinamos que meninas não podem fazer certas coisas, que são campos masculinos. É absurdo. Podemos atuar em qualquer área. Precisamos de motivação. A minha vida toda sonhei em ser uma cientista. Mas sou de família humilde. Meu pai era motorista e minha mãe dona de casa/costureira. Não imaginava ser capaz ser atingir isso. Fiz curso técnico e comecei a trabalhar ainda estudando. Mas eu queria mais, e tentei entrar na universidade pública”, completa Suzana.

Para além dessa questão de gênero, ela reconhece que, nesse momento de pandemia, a Ciência tem recebido um reconhecimento que, infelizmente, não recebe no dia a dia. “É muito triste pensar que precisamos de situações tão dramáticas para valorizar algo tão importante. A Ciência não está salvando vidas apenas na pandemia. Todos os dias os cientistas trabalham melhorando diagnósticos, inovando em medicamentos. E não é só na área médica. Hoje, todos podem dizer o que querem nessas redes sociais. Mas elas só existem porque cientistas as desenvolveram e continuam a melhorá-las”, ressalta.

O que Suzana está dizendo é que a Ciência é fundamental em todos os setores. “Os países que sabem disso e investem em Ciência são aqueles que sempre invejamos, com melhor qualidade de vida, segurança, saúde, educação. E eu espero que nosso país também vença esse obscurantismo e se espelhe em bons exemplos”, destaca.

Obscurantismo que se fortalece com a discriminação sofrida por cada mulher que se envolve com a área. “Quantas vezes ouvi dizer que se era bonita não podia ser inteligente, ou que mulheres não tinham tanta capacidade intelectual, que deveriam ser donas de casa. Parece que as pessoas acham muito estranho uma mulher ser cientista e, principalmente, atuar em nas áreas de exatas. Mas, com perseverança, vamos vencendo cada uma dessas batalhas”, assegura.

 

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