Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Maioria e reativas ao machismo, mulheres brasileiras vão derrotar Bolsonaro 
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Mulheres farão a diferença na escolha do futuro presidente 

As mulheres são maioria no eleitorado, com cerca de 53% dos votos, e embora não tenham conseguido ainda alcançar a equidade na política, elas mostram que não compactuar com políticas públicas que não as inclua ou não visem uma mudança de paradigmas em relação às questões de gênero.

Prova disso são os dados das últimas pesquisas eleitorais, nas quais elas despontam como responsáveis pela vantagem que o ex-presidente Luiz Inácio, PT, mantém há quase um ano na disputa presidencial contra Jair Bolsonaro, PL. 

Na semana passada, por exemplo, davam a Lula mais de 25 pontos percentuais à frente de Jair Bolsonaro. Entre os homens, Lula e Bolsonaro estão praticamente empatados. 

Isso é constatado tanto em pesquisas presenciais, como as realizadas pela Quaest - com 2 mil entrevistas -; quanto em sondagens telefônicas, como as do Ipespe - com 1 mil consultas.

Em ambas, prevalece a rejeição a Bolsonaro, confirmada pela crítica feminina ao desempenho dele e de seu governo.

A avaliação negativa das mulheres se mantém no patamar de 50%, dez pontos percentuais acima da taxa de desaprovação dos homens.

A aversão a Bolsonaro, pelo critério de intenção de voto, diminui entre homens e mulheres à medida que é maior a renda, mas o presidente sofre maior resistência entre o eleitorado feminino de todas as classes sociais, segundo a última pesquisa Datafolha. 

Já o ex-presidente Lula, possui vantagem entre as mulheres independentemente de faixa social. Além disso, tem preferência mais robusta entre os mais pobres de ambos os gêneros. Homens ricos, contudo, tendem a se distanciar do petista.

Na pesquisa DataFolha, Lula registrou 48% das intenções de voto no primeiro turno, ante 27% de Bolsonaro. O resultado geral já apontava a vantagem do ex-presidente no eleitorado feminino. Entre elas, o petista chega a marcar 49%, ante 23% do atual mandatário, que se esforça para conquistar esse público.

A dissonância mais sensível entre a opinião dos dois gêneros se deu na faixa mais edinheirada, na qual mulheres correspondem a 53% da amostra da pesquisa; homens são 47%. 

O grupo com ganho mensal familiar de até dois salários mínimos representa 52% do universo do eleitorado brasileiro. O intermediário equivale a 32% e o mais alto, 11%.

A intenção de voto em Bolsonaro entre as mulheres, em todas as rendas, é sempre numericamente inferior à registrada entre os homens, tanto na pesquisa espontânea  - quando não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados - quanto nas estimuladas de primeiro e segundo turno.

A diferença entre os gêneros chega a 15 pontos percentuais entre os que têm renda superior a cinco salários e votam no presidente no primeiro turno: 44% dos homens, ante 29% das mulheres.

Não é de hoje que Bolsonaro tem um problema com as mulheres. Durante todo o seu mandato ele deu sinais claros de ser um governante que não respeita as mulheres, que não apoia enquanto empreendedoras, por exemplo, é que as vê como base no  fundamentalismo bíblico. 

Já elas, repudiam, desde sempre, a forma como ele administra o país — antes na pandemia e, agora, na crise econômica. O fato é que, enquanto Bolsonaro governava para os homens - brancos e ricos, claro -, as mulheres se organizavam silenciosamente para as eleições de 2022. E, se mulher não vota em mulher, ao menos não vota em “governantes” como Bolsonaro! 

 

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