Politica & Mulher
Feminismo não é a mesma coisa que machismo, tá ok?

Lavínia Cruz: “Feminismo é a ideia de que as mulheres sejam soberanas de si, tal qual os homens na sociedade em que vivemos hoje”

É comum que os conceitos de feminismo e machismo sejam postos como sinônimos para gêneros diferentes: o machismo para o homem e o feminismo para a mulher. E é comum também que esse entendimento distorcido venha de grupos que condenam o feminismo -daí a razão de diminuí-lo assim.

Mas a verdade é que o feminismo luta pela igualdade de gêneros e não pela supremacia dos direitos da mulher em detrimento dos dos homens - como o machismo faz. Segundo a socióloga Lavínia Cruz, mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe, o machismo está atrelado à formação da sociedade, que leva em consideração que o homem está numa posição hierarquicamente superior.

“Ele “é” o chefe, o pai e o arrimo de família. Tem a prerrogativa de satisfazer as necessidades materiais dos seus e, a priori, ocupa a vida pública, os espaços da rua, na escola, trabalho, lazer, exerce a cidadania”, explica Lavínia, acrescentando que assim a sociedade foi formada e assim ergue-se e sustenta-se um sistema de valores que oprime mulheres e as relega a uma posição secundária, caseira, que as obriga a se dedicar às tarefas do lar e aos cuidados com as crianças.

“O machismo é, sobretudo, uma mentalidade que sustenta a “superioridade” do homem – é importante ressaltar que o homem branco está no topo dessa hierarquia – e perpetua ideias preconcebidas, como estereótipos de “feminilidade” e “masculinidade” ainda comumente aceitos”, ressalta.

Já o feminismo vem se contrapor a isso. E, para Lavínia, não como um sistema que quer substituí-lo, ou que quer colocar a mulher no “comando”, intercambiando as posições; mas que exige respeito, igualdade de tratamento, de oportunidades e de possibilidades na vida, no mundo.

“O feminismo luta para que as mulheres sejam soberanas no que tange às suas escolhas; às decisões sobre sua aparência, vestimenta, ao seu corpo, sua profissão, à possibilidade de ser mãe ou não, de exercer sua sexualidade para além do “estabelecido”, do preconcebido, do estereótipo... É a ideia de que as mulheres sejam soberanas de si, tal qual os homens na sociedade em que vivemos hoje”, conceitua. Será que é pedir demais?