Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

“Muitos episódios de violência acabam se repetindo na política”, diz coordenadora do Observatório de Candidaturas Femininas da OAB
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Maíra: participação das minorias fortalecem a democracia

Maíra Calidone Recchia coordena uma das ferramentas mais recentes de análise e apoio à participação da mulher na política, o Observatório de Candidaturas Femininas da OAB\SP. A advogada foi convidada para uma live do advogado sergipano Jefferson Feitoza, presidente da Comissão de Direito Eleitoral, e falou com exclusividade para a Coluna Política & Mulher sobre a necessidade de lançar luz sobre os obstáculos que impedem o avanço dessas candidaturas em todo o país.

Segundo a advogada, o Observatório foi lançado em fevereiro de 2020 – atrás apenas do da OAB\PI –, justamente com o objetivo de acompanhar as candidaturas naquele ano, no que diz respeito ao gênero. “A gente começou se debruçar sobre o tema, especialmente sobre esse recorte, ao verificarmos que as mulheres não estavam devidamente representadas nessas esferas de poder,  que basicamente são as Câmaras, Assembleias Legislativas e a Câmara dos Deputados”, explica Maíra.

Ela classifica o surgimento do Observatório como uma lupa sobre esse tipo de candidatura e os motivos pelos quais as mulheres não conseguem ser eleitas com a mesma facilidade que os homens. “Não tenho dúvidas de que para que a gente alcance a paridade ou mesmo uma diminuição na disparidade entre os gêneros nas esferas de poder político do país, é necessário o efetivo investimento em candidaturas femininas”, reitera.

Isso porque, de acordo com a advogada, o que se vê, na prática e muito claramente, é que os partidos políticos além de não darem espaço para a as mulheres dentro das esferas intrapartidárias, acabam também não financiando adequadamente essas candidaturas e tampouco dando visibilidade a elas. “Sabemos que é muito comum, inclusive, que os dirigentes procurem mulheres às vésperas do prazo de filiação, então elas já acabam entrando pouco tempo antes, tendo que se ambientar com  o local, com as regras, e sem o efetivo ou adequado investimento”, analisa.

Na contramão dessa realidade que se perpetua, algumas pesquisas comprovam que mulheres em postos de comando obtém maiores chances de sucesso. Por exemplo, no combate à pandemia, os países com melhores resultados eram liderados por mulheres. Quando tem-se mulheres prefeitas, há queda na mortalidade infantil e nos índices de corrupção.

“Dessa forma, para além de contribuir com um cenário de pluralidade e inclusão, não só do gênero, mas também de raça, quanto maior a inserção de grupos tidos como minorizados, mais a democracia se fortalece”, argumenta Maíra. E por que então isso não se concretiza? Para a coordenadora, os desafios são a falta de espaço nos partidos, a ausência de democracia intrapartidária, o pouco investimento nas candidaturas. Mas o que mais vem à tona é a violência politica.

“Ela vem aumentando de maneira exponencial e o Brasil não tem uma legislação especifica que puna ou discorra sobre a matéria. Para além das questões sociais e econômicas, há muitos episódios de violência que acabam se repetindo na política. A ideia é que com mais mulheres nesses espaços, haja também uma queda na violência politica”, afirma.

Maíra Calidone também é fundadora da rede de amparo para mulheres denominada PraElas, integrante da Rede Feminista de Juristas – deFEMde –, da Associação Brasileira de Mulheres em Carreiras Jurídicas – ABMCJ – e do Advogadas do Brasil – CAB –, além de presidenta da Comissão da Mulher Advogada da 95ª Subseção da OAB/SP entre 2016 e 2018, palestrante e autora de artigos sobre violência política de gênero.

 

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