Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Niully Campos: “Não se escolhe entre fazer política e ser mãe”
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Niully Campos: “Penso que ser mãe tem me feito ser uma política melhor, mais empática com a dor da outra”

A advogada Niully Nayara Santana Campos, hoje filiada ao PSOL, é uma figura conhecida quando se fala em candidaturas femininas e na luta para fomentá-las. Foi candidata a vereadora por Aracaju em 2016, quando obteve 2.024 votos; e para deputada estadual, em 2018, quando alcançou 7.595 votos.

Em 2020, pariu o primeiro filho e preferiu ficar fora da disputa. Hoje, num cenário de preparação do solo para as eleições de 2022, ela ainda analisa se volta à cena política direta em 2022, embora nunca tenha deixado de atuar. “Sigo fazendo política todo dia, como mulher, mãe, advogada, professora, cidadã”, diz Niully.

“Sigo engrossando as fileiras da resistência ao fascismo, dos direitos das mulheres e minorias, da defesa da vida, da vacina, da ciência, da justiça social, da solidariedade e da construção de um mundo melhor para todas e todos”, completa.

Segundo Niully, o momento tem sido de ouvir e dialogar com os amigos e apoiadores para construir esse retorno. “Não se escolhe entre fazer política e ser mãe”, afirma. Pelo contrário, segundo Niully, foi a maternidade que lhe mostrou mais de perto a vivência de desafios que ela só conhecia na teoria.

Como, por exemplo, o desafio de voltar para o mercado de trabalho, de partilhar igualmente as tarefas em casa, de lutar por vacina para que as mães possam criar seus filhos. “Penso que ser mãe tem me feito ser uma política melhor, mais empática com a dor da outra”, garante a advogada.

E não foi só isso que a maternidade mudou em Niully: “encaro a vida com mais alegria, entusiasmo e empatia. Alegria de ver meu filho crescer com saúde, cercado de amor. Entusiasmo pra lutar por ele e pelos outros. E empatia, porque é inevitável pensar em tantas mães que morreram por um vírus para o qual já há vacina. A maternidade é uma experiência intensa, de amor, doação e desafios diários”, resume.

Atualmente, Niully se dedica a alguns estudos de Especialização, além de dar aula de Direito Penal numa faculdade particular. Mas a política sempre está nos planos. “Para o futuro, pretendo ajudar no fortalecimento do campo progressista, democrático e popular em Sergipe”, diz Niully, acrescentando que a pandemia está inevitavelmente no centro da análise conjuntural.

Para ela, o agravamento da pandemia e suas consequências drásticas no Brasil são fruto de uma política negacionista, anticientífica e autoritária do “desgoverno Bolsonaro”, que irresponsavelmente sabotou a aquisição e produção de vacinas.

“Não bastasse a promoção genocida da pandemia pelo presidente, a política neoliberal de Guedes desampara o povo - que não recebe um auxílio emergencial minimamente digno - e os pequenos e médios empreendedores - que igualmente não recebem incentivos. Desemprego, fome, desmonte de órgãos de fiscalização ambiental, retirada de direitos, práticas racistas, misóginas e homofóbicas são as marcas dessa política genocida”, avalia.

Em Sergipe, segundo Niully, o governo demorou a agir para minimizar os impactos da crise sanitária. “Sergipe aparece como o 3º Estado no ranking da taxa de desemprego e como o 2º em mortes no país por confrontos policiais (polícia que mata e que morre todo dia). O governo determinou o retorno gradual às aulas sem efetivamente ter conseguido vacinar sua população”, critica.

Em Aracaju, de acordo com Niully, o momento exige diálogo permanente em torno das lutas comuns. E nessa luta também há espaço para apoiar e incentivar candidaturas femininas, já que ela tem a luta pela equidade entre homens e mulheres como missão de vida. “E isso passa necessariamente pela participação ativa da mulher na política”, ressalta Niully.

 

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