Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

O mundo seria um lugar melhor se mais mulheres estivessem no poder? 
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Falta de representatividade, na prática, contrasta com desejo de mais mulheres na política 

A resposta a essa pergunta é: sim. Pelo menos é no que a maioria dos brasileiros acredita, segundo levantamento global feito pelo Instituto Ipsos. 

O Brasil foi considerado o país que mais defende a participação feminina na política entre os 28 países onde os pesquisadores fizeram esse mesmo questionamento - o mundo seria um lugar melhor, mais pacífico e bem-sucedido se mais mulheres estivessem no poder? 

A média global dos que responderam que sim é de 54%. Depois do Brasil, primeiro lugar no ranking com taxa de 70%, Peru e Colômbia empatam na segunda colocação. Ambos os países, porém, têm maior participação feminina na política que o Brasil. 

No Peru, as mulheres são 40% do Parlamento, e na Colômbia, 19,7%. Homens e mulheres responderam de forma parecida ao levantamento. Em todos os países, as entrevistadas apresentaram maiores taxas de concordância à questão que os homens. 

A diferença foi de 12 pontos percentuais na média global e de 10 no Brasil. Na pesquisa, online, foram ouvidos 19 mil entrevistados entre 16 e 74 anos, em todos os continentes. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos porcentuais, para mais e para menos.

Os dados contrastam bastante com o cenário real da subrepresentatividade das mulheres na política no Brasil, seja no Legislativo ou no Executivo.

Na Câmara dos Deputados, por exemplo, das 513 cadeiras, apenas 77 são ocupadas por deputadas, o que corresponde a 15%. No Senado, somente 12 mulheres foram eleitas para as 81 vagas, o que equivale a uma participação feminina de 14%.

Segundo o Mapa das Mulheres na Política 2020, feito pela Organização das Nações Unidas - ONU - e pela União Interparlamentar - UIP -, o Brasil ocupa o 140º lugar no ranking de representação feminina no Parlamento. 

Na América Latina, o país está à frente apenas de Belize - 169º lugar - e do Haiti - 186º lugar. Lideram o ranking Ruanda, em 1º; Cuba, em 2º, e a Bolívia, em 3º.

Num cenário nacional, o Nordeste lidera a ocupação de espaços políticos por parte das mulheres, mas nada que se aproxime de uma igualdade de gênero. Em Sergipe, são apenas 14 prefeitas contra 61 prefeitos, o que representa 82,4%. 

Em 2016, o número de mulheres eleitas prefeitas foi ainda menor: apenas 10 mulheres conseguiram se eleger nos 75 municípios sergipanos. Um percentual de 13,33% contra 86,67% de prefeitos eleitos homens. 

O Estado reúne 134 vereadoras num montante de 768. Na Câmara de Aracaju, o número passou de um para quatro vereadoras, sendo que em oito cidades sergipanas não há uma mulher sequer nos parlamentos, como Nossa Senhora das Dores, com 11 vereadores; São Cristóvão, com 17; Pedra Mole, com 9; Pinhão, 9 vereadores) – Nenhuma mulher eleita.

Assim, embora o ímpeto seja Embora o ímpeto seja culpar o eleitor, a disparidade começa antes do dia da eleição. Dados da plataforma 72 horas, que analisa a distribuição de recursos financeiros para campanhas, mostram que candidaturas de mulheres receberam 30% dos valores repassados pelos partidos em 2020. 

 

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