Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Pequena presença feminina na política é reflexo de uma sociedade que subjuga mulheres, diz historiadora 
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Maria Edna: “É um processo longo, mas que já começou e que a gente precisa intensifica” 

Você sabia que, este ano, ainda não há uma pré-candidatura feminina entre as sete já postas ao Governo do Estado? E que Sergipe também nunca elegeu uma mulher deputada federal? Que entre os 75 prefeitos, apenas 13 são mulheres? E que entre os 75 presidentes das Câmara Municipais, apenas 11 são mulheres?

Todos esse contexto não pode ser mera coincidência: é, na verdade, um reflexo da sociedade que foi construída ao longo dos anos, com soberania masculina na política, na economia e nos principais espaços de poder. Mas por que é assim? E, principalmente, por que esse cenário se mantém da mesma forma até hoje?

Para a historiadora Edna Maria Matos, professora do Departamento de Mestrado em história da UFS, a sociedade não acreditava que a mulher fosse capaz de ter um pensamento acerca do mundo, pois sempre foram restritas à casa. 

E, mesmo com os avanços, ainda é pouco diante do potencial feminino e de todo o período em que ele foi subjugado. “Nós passamos desse tipo de situação, hoje temos ministras, vice-presidentes, presidentes, mas ainda parece muito pouco diante do que se espera, pois somos maioria e não somos representadas de forma plena”, analisa. 

Os espaços na política sempre foram direcionados aos homens, diz ela, até pelos papéis sociais que cada um desempenhava na sociedade. “Mas isso está mudando consideravelmente. Falta muito, inclusive entender como homens e mulheres lidam com a política, sem que mulheres precisam de símbolos do mundo masculino para isso”, exemplifica. 

O fato é que a lacuna ainda é enorme. E, para Edna Maria, para ser diminuída, é preciso uma educação critica, que promova a consciência dos sujeitos, e a disseminação da mensagem de que é importante participar e de a mulher tem sim capacidade para participar. 

“É um processo longo, mas que já começou e que a gente precisa intensificar. Isso porque, um homem, por mais democrático e sensível que seja, é diferente de uma mulher, que sabe as questões específicas que vigência, como a necessidade de creches, como  a quádrupla jornada que muitas vezes tem, uma série de pautas”, explica. 

E não é porque tem sido assim que precisa continuar. É preciso mudar esse cenário, para que a sociedade possa avançar, evoluindo em questões de gênero em suas mais diversas demandas - sendo a política a mais urgente e determinante para as demais! 

 

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