Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Política e gênero: pesquisa aponta o quanto mulheres podem ter poder decisivo na eleição
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Mulheres podem definir resultado de eleição

Uma pesquisa do Grupo Exame\Ideia, divulgada recentemente pela revista Exame, traz dados extremamente signiifcativos sobre política e gênero no país: enquanto 32,5% dos homens consideram o atual governo como ótimo e bom, apenas 21% da mulheres têm a mesma opinião.

Se este dado for colocado mais na lupa, o ótimo entre os homens vai a 16,5%, enquanto que entre as mulheres cai para 9,5%. Os que avaliam o governo como ruim e péssimo estão cristalizados na faixa de 49%, mas entre elas sobe para 54%, já entre eles cai para 43%.

Os índices demonstram o quanto as mulheres se descolaram dos homens em suas posições políticas. E o quanto são, desde a campanha de 2018, um eleitorado mais resistente ao presidente Jair Bolsonaro e mais difícil de conquistar.

Isso porque o primeiro eleitor padrão de Bolsonaro encontrado em pesquisas sempre foi homem, de classe média, escolarizado, da região Sudeste. Eles continuam a ser um dos pilares de sustenção da reeleição do presidente, ao lado de outros dois eleitorados sólidos dele: os evangélicos e a turma do agronegócio, notadamente da região centro-oeste.

A aprovação do governo de Bolsonaro, dado fundamental para avaliar a reeleição, também traz disparidades entre elas e eles. A aprovação nesta última pesquisa ficou em 25%, sendo que entre os homens subiu a 30,5%, já entre as mulheres desceu para pouco menos de 20%.

Além das diferenças históricas, os últimos acontecimentos da agenda nacional também dividiram o eleitorado feminino do masculino. Por exemplo: uma parcela significativa de homens não apoia as recentes manifestações contra Bolsonaro - 35,5%, enquanto a concordância delas pelos protestos chega a 55,5%. Da mesma forma, apenas 7,5% delas participaria de uma manifestação a favor do governo, enquanto quase o dobro deles iria neste caso - 14,5%.

Quando o ambiente político é ampliado para incluir a economia e o futebol, a divergência entre eles e elas não diminui: 85,5% das mulheres acredita que a realização da Copa América pode levar a uma piora da pandemia de covid-19, enquanto essa perspectiva é considerada por 63% dos homens.

As mulheres também são mais desfavoráveis que os homens sobre a própria realização do campeonato no Brasil: apenas 15% delas concordam, contra 34% deles. A preocupação sobre um aumento na conta de luz devido a uma possível crise energética são outro ponto que tem mais peso entre elas, com 47%, do que entre eles, com 37,5%.

O que uma análise mais qualitativa - e subjetiva - dos dados aponta é que a decisão das eleições de 2022 passa, essencialmente, pelas mãos femininas, que - vale a pena frisar - representam mais de 52% do eleitorado. Ou seja, é muito bom que os candidatos (re)avaliem seu comportamento e pensem nisso antes de se candidatar.

 

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