Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Trauma e ruptura entre Ivan Leite e Gilson Andrade vêm de longe. E é irreparável!
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Ivan Leite: uma história de Inês morra, sem reconciliação

Que na ruptura das relações políticas entre os dois caciques da política de Estância, Ivan Leite, ex-prefeito, e Gilson Andrade, atual prefeito, ninguém busque razões rasas. Superficiais.

Que não se busque algo à flor da pele, de epiderme, ou de uma mera definição da permanência ou não da professora Adriana Leite, esposa de Ivan, no posto de vice-prefeita na ida à reeleição de Gilson. Isso pegou, mas não é tudo.

As causas são mais profundas do que leem as vãs filosofias, e se espraiam num tempo amplo. Distante. E estão umbilicalmente ligadas às diferenças básicas desses dois políticos no encarar das causas políticas e de gestão.

“As mágoas e falhas vêm de longe”, confessa Ivan Leite, sem mais rodeios. “A tolerância da minha parte com ele foi excessiva”, completa.

Mas como assim? “Quando eu era prefeito e Gilson Andrade, que foi meu vice até 2008 e elegeu-se deputado estadual 2010, o que ele fez por Estância para ajudar a administração de Ivan Leite? Nada”, acusa.

Na versão de Ivan Leite, o “nada” ainda é pouco. “Na verdade, Gilson ficou foi brigando de forma agressiva com o governador Marcelo Déda”, diz ele. Ivan, Déda e Gilson tiveram dois anos - 2011 e 2012 - coincididos como prefeito, governador e de deputado estadual.

E a ação de Gilson, pondera Ivan, teria uma consequência ruim para os destinos estancianos. “O nosso município perdeu a estrada de Estância direto à praia, que eu tinha conseguido que Marcelo Déda colocasse como uma das emendas coletivas”, afirma Ivan. 

Gilson se elege vice-prefeito de Estância ao lado de Ivan em 2004. Depois o seu PFL tromba com os interesses políticos na cidade e em 2008 ele perde o posto na reeleição de vice para a médica Cleide Maria Freire Carvalho, que não tinha nada a ver com a cena política.

Para Ivan Leite, Gilson Andrade teria feito corpo mole em outras situações que favoreceriam o município de Estância no passado, além dos casos contemporâneos das idas (ou não idas) da Escola Militar agora de Jair Bolsonaro e do Matadouro do Grupo Maratá.

“Será que a Faculdade de Medicina da UFS não teria vindo para Estância ou ao menos o Campus de Engenharia?”, questiona Ivan. Segundo Ivan Leite, a relação política com Gilson ficou insustentável e não coube uma reconciliação de última hora agora em 2020.

“Na última semana, antes das convenções deste ano, Gilson queria conversar conosco. Mas a professora Adriana Leite é quem já não mais queria ser candidata a vice-prefeita dele. E eu então sequer atendi, nem dei retorno, às ligações dele”, diz Ivan.

“Gilson Andrade está tentando sair de vítima, quando não o é”, avisa Ivan. Para Ivan Leite, “foi um erro gigantesco de avaliação” da parte de Gilson ter feito “corpo mole” em 2018 no projeto coletivo de se eleger Adriana Leite deputada estadual.

Ivan entende que não caberia a ninguém ver na eleição de Adriana Leite deputada estadual “um ofuscamento de Gilson em 2020” e nem um “fortalecimento” dele - o próprio Ivan -, por ter a esposa na Alese.

Para Ivan, ele como prefeito de Estância teve em 2010 uma conduta bem diferente da que fora adotada por Gilson em 2018 frente ao projeto Adriana Leite candidata a deputada. “Na eleição para deputado estadual em 2010, fechei questão com todos os vereadores e secretários de Estância no sentido de que o nosso candidato seria Gilson, e o elegemos”, rememora Ivan.

“Inclusive, a candidatura de deputado estadual de Estância já ali em 2010 poderia ter sido a da professora Adriana Leite, cujo nome evidentemente inviabilizaria a eleição dele. Ela tinha mais chances do que ele em face da minha popularidade e dos 19 mil votos da minha reeleição em 2008, além do trabalho e do carisma dela durante toda minha gestão”, diz.

Em 2004, com Gilson candidato a vice-prefeito, Ivan se elegeu prefeito de Estância com 15.603 votos. Em 2008, com Cleide no lugar de Gilson, se reelegeu com 19.040. “Mas ele não foi meu vice em 2008 por culpa do partido dele, o PFL, que impôs, para agradar ao deputado Augusto Bezerra, a coligação na proporcional, o que nós não aceitamos”, lembra Ivan.

De modo que essa relação política e de parceria eleitoral entre Ivan Leite e GiIson Andrade – dois ex-amigos? - é a famosa história da “Inês morta”. Não tem mais retorno.

Ivan já declarou apoio à candidatura de Márcio Souza, PSOL, e vai de braços dados com outro arquiopositor que se alia a Márcio, o médico, ex-deputado estadual, federal e ex-prefeito da cidade Carlos Magno Garcia.

Se esse “mói” de gente unida perder para Gilson Andrade, o reeleito prefeito poderá erguer para si um panteão de herói e Márcio Souza socar-se num sarcófago e dormir o sono da eternidade. Ivan Leite e Carlos Magno, chamuscados, seguirão suas vidas em paralelo, e meio intactos.

 

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