Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Violência o ano todo: 2021 teve quase 9 mil ocorrências pela lei Maria da Penha
Compartilhar

Casos de violência aumentam em 2021

A lei Maria da Penha tipifica cinco tipos de violência: a física, a psicológica, a sexual, a moral e a patrimonial. Cada uma delas tem seus desdobramentos e se multiplica em diversos tipos de agressões que são promovidas diariamente contra as mulheres de todo o país. Literalmente. 

A edição de 2021 da pesquisa de opinião do DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, realizada a cada dois anos, revela um crescimento de 4% na percepção das mulheres sobre a violência em relação à edição anterior.

Para 71% das entrevistadas, o Brasil é um país muito machista; 68% das brasileiras conhecem uma ou mais mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar, enquanto 27% declaram já ter sofrido algum tipo de agressão por um homem.

De acordo com a pesquisa, 18% das mulheres agredidas por homens convivem com o agressor. Para 75% das entrevistadas, o medo leva a mulher a não denunciar. O estudo demonstra, no entanto, que 100% das vítimas agredidas por namorados e 79% das agredidas por maridos terminaram a relação.

Em Sergipe, durante o ano de 2021, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública – SSP –, foram registradas mais de 8.700 ocorrências relacionadas à Maria da Penha, sendo distribuídas da seguinte forma: Ameaça – 3253; Lesão corporal – 1.757; Injúria – 1.729; Vias de fato – 786; Dano – 375; Descumprimento de medida protetiva de urgência – 296; Difamação – 205; Perseguição (stalking) – 198; Liberdade de manifestação do pensamento e da informação – 118.

Esse cenário, que já se repete ao longo dos anos, vai de encontro a tudo que se preza quando se fala em sociedade mais justa e igualitária. O próprio Papa Francisco, durante a primeira missa do ano, no dia 1º, classificou a violência contra as mulheres como um insulto a Deus. 

“A Igreja é mãe, a Igreja é mulher. Quanta violência é dirigida contra a mulher! Chega! Machucar uma mulher é insultar a Deus, que de uma mulher assumiu nossa humanidade — não por meio de um anjo, não diretamente, mas por meio de uma mulher”, completou.

Que em 2022, esses números possam cair, as mulheres possam ser respeitadas e libertas de qualquer ato ou palavra que as diminua, constranja ou agrida. Que possam ser donas de suas vidas, seus corpos e seus sonhos, pois só assim o ano será, de fato, feliz para todas! 

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.

Gorete Amorim
Dados alarmantes. Infelizmente a reprodução do machismo e outros ismos se alarga nos últimos tempos, andamos na contraposição dessa lógica.