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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Candidaturas negras, femininas e indígenas aumentaram em 2020
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Val Eloy Terena, candidata a vice-prefeita de Campo Grande (MS): houve aumento de 25% nas candidaturas indígenas para as prefeituras em relação a 2016

Pela primeira vez, o número de candidatos autodeclarados negros - pretos ou pardos - superou o total de brancos. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral - TSE - mostram que 276 mil candidatos negros vão concorrer nas eleições de 2020, o que representa 49,95% do total. Já as candidaturas brancas representam 48,04%. 

Para o senador Paulo Paim, PT-RS, decisão da Justiça levou a maior proporção de candidaturas negras da história, pois foi determinada a equiparação do tempo de propaganda política em rádio e TV, sendo dividida em 50% para mulheres brancas e 50% para negras, além de 30% para cota do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas – FEFC - para candidatas e candidatos negros.

“Foi um grande avanço para promoção da igualdade racial no Brasil, um país ainda racista. As eleições de 2020 são um grande projeto piloto para o aprimoramento dos futuros pleitos”, disse o senador gaúcho.

“Não basta a inscrição das candidaturas negras. Os partidos precisam priorizá-las. Não é só dizer que as candidaturas estão lá. Eu quero ver se a divisão dos recursos e do tempo de rádio e TV foram os mesmos no pós-eleição!”, reiterou o senador.

Nas eleições gerais de 2018, embora 47,6% dos candidatos fossem negros, apenas 27,9% foram eleitos. 

As candidaturas femininas também aumentaram neste ano, chegando a 184 mil, o que representa 33,4% do total. Já em 2016, o percentual foi de 31,9%. A população feminina representa 52,5% do eleitorado brasileiro.

Em entrevista à Agência Senado, a senadora Eliziane Gama, Cidadania-MA, afirmou que a representatividade das mulheres em cargos eletivos e de comando ainda está bem aquém do que o necessário. 

“Somos a maioria da população brasileira e avançamos pouco desde a década de 1940 nesse sentido. O sistema de cotas para mulheres ajudou, mas ainda é insuficiente para transformar essa realidade. Para muitas mulheres a política ainda é um universo inatingível e hostil”, disse ela.

Para a senadora Soraya Thronicke, PSL-MS, as mulheres precisam querer fazer parte da política e não aceitar serem usadas em candidaturas fraudulentas. 

“Não adianta apoiarmos políticas públicas que incentivem a participação feminina na política, como é o caso das cotas de gênero, se as mulheres não entrarem verdadeiramente para competir pelas vagas nos parlamentos. É muito mais uma questão de conscientizar do que simplesmente destinar uma porcentagem de vagas para determinado gênero”,, ponderou.

Já a senadora Kátia Abreum, PP-TO, acredita que o equilíbrio fará do Brasil um país mais justo e moderno. 

"A demonstração de confiança nas mulheres é sinal de progresso. Sinal de que estamos deixando os preconceitos pra trás”, disse ela no Twitter.

A senadora Simone Tebet, MDB-MS, apresentou um projeto - PL 4.391/2020 - para garantir que as legendas reservem, no mínimo, 30% dos cargos dos órgãos partidários para as mulheres.

A proposta também determina que, nos órgãos de juventude das siglas, a reserva seja de 50%. Pelo texto, as legendas têm até 2028 para chegar a esse patamar.

As candidaturas indígenas também cresceram em 2020, chegando a 2,1 mil, o que representa 0,4% do total. De acordo com dados do TSE, são 38 candidatos indígenas a prefeito e 72 a vice-prefeito, o que mostra um aumento de 25% em relação a 2016. 

Apesar do avanço, o senador Telmário Mota, Pros-RR, acredita que ainda há muito o que fazer. 

“Como eu sempre digo, o índio quer inclusão social, quer estudar e trabalhar, e assim defender ainda mais sua cultura e costumes. Ver meus parentes inseridos na política local e nacional é extremamente gratificante”, diz ele. ( Fonte: Agência Senado).

 

 

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