Politica & Mulher
Tanuza Oliveira

É jornalista desde 2010, com atuação em veículos impressos e assessorias de comunicação.

Participa Mulher: campanha visa fim das candidaturas falsas e a real representatividade feminina
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Coletivo Advogadas do Brasil apoia campanha por mais mulheres na política

Maioria na população e no eleitorado brasileiro, a mulher segue com participação bastante tímida na política e em espaços de poder. Com a cobrança de movimentos feministas e sociais, algumas campanhas têm cobrado que, pelo menos, o percentual mínimo de 30% seja atingido.

Uma dessas campanhas é a Participa Mulher, apoiada pelo coletivo Advogadas do Brasil, idealizado pela advogada goiana Valéria Pelá, que falou à Coluna Política & Mulher sobre a importância de lutar por essas causas. “A gente vem fazendo o trabalho que cobra “paridade já” na OAB e também tem apoiado coletivos que lutam por mais visibilidade e representatividade feminina”, afirma Valéria.

Segundo ela, o movimento surgiu em Belo Horizonte, Minas Gerais, que foi palco de suspeitas de fraude eleitoral, prejudicando a participação de mulheres na política. “Mas a campanha ganhou proporção nacionalmente e tem nosso apoio”, diz a advogada, que é vice-presidenta do Conselho Popular da Mulher de Goiás.

Ela lembra que, em 90 anos, a OAB nunca teve uma mulher na presidência ou vice-presidência, além de não ocuparem nem 30% dos cargos de direção e de decisão no Sistema OAB. Dessa forma, com a paridade de gênero e equidade racial dentro da entidade, para ela, “a representação seria mais condizente com a realidade da profissão no país”.

A preocupação de Valéria se justifica, porque entre os 81 conselheiros titulares, apenas 18 são mulheres, mesmo elas representando 49,88% dos inscritos na Ordem. “Somos quase a metade dos inscritos no país e suplantamos os homens em vários estados como São Paulo e Rio de Janeiro, os maiores colégios eleitorais da entidade”, ressalta.

Os baixos índices se repetem no âmbito político-partidário. Dados levantados pela área de estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral – TSE –, atualizados após a eleição de 2020, mostram que a baixa representatividade feminina na política do país continua: foram eleitas 651 prefeitas, ou 12,1%, contra 4.750 prefeitos, ou 87,9%. Já para as câmaras municipais, foram 9.196 vereadoras eleitas, ou 16%, contra 48.265 vereadores, 84%. A campanha é importante para mostrar que cota de gênero não é favor, é direito.

 

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